Adaptação da Semana: “A Tempestade do Século”

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Título original: Storm of the Century
Gênero: Terror
Duração: 240 minutos (4 horas)
Ano de lançamento: 1999
Direção: Craig R. Baxley
Roteiro: Stephen King
Elenco: Colm Feore, Tim Daly, Debrah Farentino, Jeffrey DeMunn
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0135659/

Trailer

Sinopse/Crítica

Em uma cidadezinha, em uma ilha que fica longe do continente, chamada Little Tall, uma tempestade de proporções biblicas apelidada de “tempestade do século” está prestes a chegar. Paralelo a isso, surge um homem de aspecto estranho que se auto intitula André Linoge (Colm Feore). Um forasteiro bastante estranho, que, aparentemente, tem a única missão de trazer morte e cãos a pequena ilha de Little Tall. Linoge sabe tudo sobre os moradores, seus segredos e desejos mais obscuros não demoram a vir a tona, através dos lábios de Linoge. Mike Anderson (Timothy Dale), o único policial da cidadezinha, prende Linoge após captutá-lo comendando pacificamente bolachas e assistindo tv na casa de uma senhora idosa que é a sua primeira vitima. Não demora para que os moradores de Little Tall descubram que Linoge não é apenas um assassino (ou mesmo um homem) comum. Enquanto repete insistentemente a frase “Me dêem o que eu quero e eu irei embora”, Linoge, mesmo preso, espalha o terror e o caos no coração dos moradores da agora perturbada Little Tall.

Diferente do que o título do post dessa semana sugere, “A Tempestade do Século” não é uma adaptação. Stephen King escreveu o roteiro direto para a tv (posteriormente o livro foi lançado, mas em forma de roteiro de cinema, nos EUA), talvez por isso tenha se tornado uma das melhores histórias do tio King (na minha humilde opinião, outra história feita para a tv rivaliza diretamente com essa, “Rose Red”). O formato original do filme era como uma mini-série em três episódios, que posteriormente foram copilados em um longa metragem de 4 horas de duração (no Brasil ele foi lançado, alguns anos atrás, em formato VHS).

Apesar de todo o mistério que envolve o personagem Linoge (quem é ele? de onde veio? O que quer dizer com “Me dêem o que eu quero e eu irei embora?”) ser um dos aspectos mais atraentes da trama, são as personalidades e dramas pessoais particulares dos vários personagens secundários que tornam a história mais interessante. Graças as revelações desses dramas feitas publicamente por Linoge no decorrer do filme (como o aborto secreto de uma das moradores de Little Tall, o envolvimento de alguns moradores em um assassinato e com o trafico de drogas e outros vários segredos perturbadores) é que descobrimos que, apesar de ser um lugar aparentemente pacifico e com pessoas de bem, Little Tall possui sua parcela significativa de podridão.

Apesar das 4 horas de duração, o roteiro bem interligado do filme mantém o telespectador preso durante boa parte desse tempo (na verdade, me lembro de que a primeira vez que assisti “A tempestade do século” mal notei o tempo passar). Aliada a isso temos a ótima direção de Craig R. Baxley (A Casa Adormecida, 2002) e suas belíssimas tomadas aéreas da ilha, além de uma fotografia muito bonita, que intercala momentos de passividade (como com o excesso de luz no inicio, quando os moradores e personagens são apresentados e a ilha ainda encontra-se em relativa calmaria) e momentos mais críticos, como quando a cidade passa a receber a visita de Linoge e, logo em seguida, a da tempestade. A partir dai tons mais escuros, que aparecem gradativamente, sem que o telespectador mal perceba, prevalecem durante a maior parte do tempo, nos dando uma angustiante sensação de imersão na obra.

Curiosidades

  • Stephen King tem a mania de intercalar suas histórias através de citações, homenagens ou mesmo breves participações especiais de personagens de outras obras suas. Em “A Tempestade do Século”, Little Tall, a ilha onde a história acontece é a mesma onde se passa a história de “Eclipse Total” (Dolores Clairborne).
  • Durante um trecho do filme um dos moradores faz um comentário relacionado a Derry, local onde se passam diversas das histórias de King.
  • Stephen King costuma fazer uma participação especial na maioria dos filmes que se baseiam em suas obras. Com “A tempestade” não foi diferente. Ele é o homem que aparece no programa que está sendo exibido na tv de Martha Clarendon, logo no inicio do filme.
  • Em um trecho do filme podemos ver um dos personagens lendo o livro “The Little Pig”, um dos favoritos de Danny Torrance, o garotinho do livro “O Iluminado”.
  • Linoge é um anagrama para “Legion” (Legião), nome pelo qual é conhecido outro grande vilão criado por Stephen King, Randal Flagg, ou O Homem de Preto. Flag, aliás, possui diversas semelhanças com Linoge. Semelhanças que nos levam a questionar até mesmo se Linoge não seria outra identidade de um dos maiores inimigos de Roland Deschain:
  • Ambos são magos, que não possuem nenhum tipo de remorso em assassinar seres humanos.
  • Linoge usa roupas de uma pessoa normal (Jenas e uma blusa longa), assim como Randal Flagg.
  • Linoge, assim como Flagg, possui um comportamento bastante temperamental. Se algo sai fora do que ele planejou ele se irrita bastante.
  • Linoge caminha para a cidade apenas com uma bengala. Flagg é conhecido como “O Andarilho”.
  • Ambos sentam-se em posição “indiana”
  • Ambos usam os sonhos para transmitirem suas mensagens.
  • Linoge mostra-se como um homem jovem, um velho e um demónio. Ao que parece nenhuma dessas é sua verdadeira forma. Flagg também possui essa capacidade.
  • Ambos usam desastres naturais para dar inicio a seus planos.
  • Ambos conseguem mergulhar na mente das pessoas e extrair seus segredos mais obscuros.
  • Assim como Linoge, Flagg também se esforça para dar prosseguimento a sua linhagem.
Edilton Nunes

Edilton Nunes

Graduado em Letras pela UEG (Universidade Estadual de Goiás), viciado em literatura de terror/suspense, amante incondicional de séries e Hq´s e fã de carteirinha do mestre Steve há pelo menos 20 anos.

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One Response to “Adaptação da Semana: “A Tempestade do Século””

  1. Luiz eduardo disse:

    Legal esse post!

    Lembro que era bem pequeno quando assisti esse filme. Gostei muito da clima de mistério que ele gerava; talvez tenha sido um dos primeiros contatos que tive com alguma obra de Stephen King.

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