Dica Literária da Semana: “A Companhia Negra”

Título Original: The Black Company
Título no Brasil: A Companhia Negra
Data de Publicação:  22/07/2012
Páginas: 305 (Edição da Editora Record)
Data de Publicação nos EUA: Maio de 1984
Personagens: Chagas, Corvo, Calado, Caolho, Duende, Dama…
Disponível no Brasil: Editora Record (2012)

Sinopse/Crítica

Há muito tempo atrás, quando o mundo ainda era recente e a magia existia, um casal de poderosos feiticeiros, conhecidos como “O Dominador” e a “Dama” governavam todo o mundo conhecido com mãos de ferro. Vencendo todos os seus oponentes de maneira implacável eles acabaram por corromper a alma dos seus dez piores inimigos, transformando-os nos seres que ficaram conhecidos no mundo todo como “Os Tomados”, criaturas condenadas a servir o casal de feiticeiros por toda a eternidade. Apesar da extrema habilidade e igual crueldade dos poderosos feiticeiros e seus aliados, um grupo de rebeldes, liderados pela Rosa Branca, conseguiu vencê-los e capturá-los, jogando-os em um sono quase que interminável.

Séculos depois os dez Tomados e a Dama finalmente são acordados, com sede de vingança e a necessidade de recuperar o poder que lhes foi tomado. Durante o processo de reconquista, o caminho de um dos dez (aquele conhecido como “O Apanhador de Almas”) se cruza com o caminho da “A Companhia Negra”, um grupo de mercenários que serviu por diversas gerações para diferentes senhores, sempre com honra. Entretanto, estes são dias passados e hoje o grupo se resume a um amontoado pequeno (mas eficiente) de soldados, trabalhando para o governante de uma ilha isolada. Tudo o que restou foram histórias, registradas nos anais da literatura por Chagas, o médico e escrivão oficial. Dessa forma, quando surge a possibilidade de se juntarem a um dos dez Tomados e fortalecerem suas forças, os mercenários não hesitam. Entretanto, o que deveria ser um retorno a glória dos antigos dias logo se transforma num pesadelo, em um ambiente hostil onde intrigas e traições são duas constantes, em meio aos rumores cada vez mais frequentes de que em algum lugar nasceu a reencarnação da Rosa Branca, a criança destinada a fazer com que os planos da Dama e seus aliados fracassem.

“O Mal é relativo, Analista. Não se pode pendurar uma placa nele. Não se pode tocá-lo ou cortá-lo com uma espada. O Mal depende de como você se posiciona, apontando o dedo. (Glen Cook – A Companhia Negra)

A história é um clássico da Literatura Fantástica Americana, narrada em primeira pessoa, pelo oficial médico da Companhia Negra, chamado “Chagas”. Funcionando como os olhos e ouvidos do grupo, Chagas é o responsável por relatar as aventuras dos membros da Companhia Negra nos chamados “Anais”, romances que relatam os pormenores das façanhas do grupo milenar de Mercenários. Entre seus poucos amigos está o oficial recém agregado conhecido apenas como “Corvo”. Com gênio forte e militarmente experiente, Corvo acaba se transformando em uma peça vital para o desenrolar da trama. Assim como Chagas, ele mantém um certo receio com relação ao modo como O Apanhador de Almas e a Dama utilizam da força dos mercenários para levar adiante seus planos obscuros. Não demora para que ambos cheguem a conclusão de que talvez tenham se juntado ao lado errado nesta batalha.

A Companhia Negra é o primeiro romance de uma série de dez (com mais dois previstos para 2015 e 2016) publicados pelo escritor Glen Cook. A série teve seu primeiro volume lançado nos EUA em 1984 e agora chega ao Brasil pela Editora Record, com trabalho gráfico impecável e a tradução de Edmo Suassuna. Trata-se de um romance de fantasia diferente do qual estamos habituados. Nele, Cook nos presenteia com um universo que, apesar de fantástico (não faltam elementos sobrenaturais como feiticeiros, mercenários, semideuses e etc) mantém um pé na realidade. Cook utilizou-se de sua experiência como Marinheiro dos EUA para enriquecer a ambientação militar descrita por ele no romance, tornando-o, apesar de ainda fantástico, bem mais verossímil. Se não fossem os momentos fantásticos (e aqui devo acrescentar, os trechos hilários de “birra” entre os feiticeiros da Companhia) sequer nos daríamos conta de que estamos diante de um romance de ficção, tamanho é o realismo empregado em suas descrições ricas e no excesso de diálogos, que fluem de maneira natural, sem apelar para momentos emotivos ou excesso de violência.

“O levante foi o pior que alguém podia se lembrar. Perdemos quase cem irmãos tentando suprimi-lo. Mal poderíamos nos dar ao luxo de perder um. No Grunhido as ruas estavam cobertas de cadáveres. Os ratos engordaram. Nuvens de abutres e corvos migraram para a cidade, vindos do campo.” (Glen Cook – A Companhia Negra)

Como foi muito bem lembrado por Eduardo Spohr (autor brasileiro que ficou mais conhecido pelo livro “A Batalha do Apocalipse”) na contracapa do livro, Cook é uma espécie de mistura entre o fantástico de J.R. Tolkien (O Senhor dos Anéis, O Hobbit) e o realismo de Bernanrd Cornwell (As Crônicas de Arthur, As Crônicas de Sharpe). Os arquétipos, apesar de estarem lá, (não faltam magias, reviravoltas intrigantes, maldade e batalhas sangrentas) não soam como clichês, já que destoam de maneira significativa daqueles com os quais estamos acostumados. Apesar de se tratarem de mercenários, no sentido literal da palavra, há uma grande dificuldade, por parte dos membros da Companhia Negra, por exemplo (e consequentemente, por parte do próprio leitor, que acompanha as angústias da Companhia como se fossem as suas, graças a narrativa em primeira pessoa de Chagas) em tentarem discernir se realmente escolheram o lado certo da batalha, visto que nada é o que parece e que traições são uma constante, quando se diz respeito a Dama e seus seguidores.

Para quem gosta de histórias fantásticas com uma pitada de realismo, fica a nossa dica. Repleto de personagens carismáticos e uma leitura dinâmica que prende o leitor da primeira até a última página (li o romance em apenas dois dias) “A Companhia Negra” é um ótimo livro, que agrega muito bem os elementos fantásticos sem se tornar maçante ou piegas. Informações adicionais sobre o romance podem ser encontradas no site oficial da Editora Record, que também disponibilizou o primeiro capitulo dele na integra (clique aqui para mais detalhes) e na fan page oficial do livro no facebook.

Sobre o Autor: Glen Cook nasceu em 9 de Julho de 1944. Sua paixão pela literatura começou já na escola. No Ensino Médio ele escrevia artigos ocasionais para a escola na qual estudava. Após concluir o colegial, Cook se alistou na marinha dos EUA, de onde veio boa parte da inspiração que compõe as histórias da Companhia Negra. Começou a levar a sério o exercício da escrita quando trabalhou em uma fabrica de montagens de carro da General Motors, chegando a escrever até três livros por ano. Foi durante este tempo que Cook escreveu o primeiro romance, “A Companhia Negra”, que viria a se tornar popular rapidamente, principalmente em meio aos militares. Quando perguntado sobre a popularidade da série entre os soldados, Cook respondeu: “Os personagens agem como os caras realmente se comportam Não glorificar a guerra… Os personagens são soldados de verdade…”

Atualmente aposentado de seu trabalho na GM, Cook vive com sua esposa, Carol, e seus filhos Justin, Chris e Mike, em St. Louis, Missouri. Embora possa se dedicar atualmente, de maneira mais efetiva a sua carreira como escritor, ele sente que era mais produtivo quando trabalhava em seu antigo emprego.

Edilton Nunes

Edilton Nunes

Graduado em Letras pela UEG (Universidade Estadual de Goiás), viciado em literatura de terror/suspense, amante incondicional de séries e Hq´s e fã de carteirinha do mestre Steve há pelo menos 20 anos.

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One Response to “Dica Literária da Semana: “A Companhia Negra””

  1. […] Em comemoração ao aniversário de um ano do nosso blog e aproveitando o lançamento do primeiro romance da Saga “A Companhia Negra” de Glen Cook no Brasil, o stephenking.com.br em parceria com a Editora Record irá sortear para nossos seguidores no twitter e no facebook dois exemplares do livro de Cook, um clássico da literatura fantástica (mais detalhes sobre o livro podem ser conferidos em nossa resenha, clicando aqui)… […]

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