Dica Literária da Semana: Le Monde Bizarre: O Circo dos Horrores

lemonde

Título Original: Le Monde Bizarre: O Circo dos Horrores
Ano de Publicação: 2012
Páginas: 208
Personagens: Jackie, Serge Tissot, Bernard…
ISBN: 978-85-64590-20-5
Disponível no Brasil pelas Editoras: Estronho (2012)

Resumo/Crítica

Palhaços são criaturas naturalmente assustadoras, todo fã de Stephen King que se preze sabe disso (nosso amigo Pennywise está ai, para não me deixar mentir). Entretanto, apesar de assustadores eles também podem ser fascinantes. A Nova antologia de contos da EditoraEstronho nos leva para um passeio no universo obscuro desses seres (e de outras incríveis atrações circenses) que, a primeira vista podem parecer engraçados e divertidos, mas que com uma olhada mais atenta podem se transformar no seu pior pesadelo.

São, ao todo, 14 contos de terror/suspense, de diversos autores, que contam as histórias da companhia de bizarrices criada pelo artista circense Serge Tissot, um universo onde o sobrenatural e o bizarro andam constantemente de mãos dadas.

Com histórias ambientadas em diversos países e em diferentes épocas, “Le Monde Bizarre” é uma coletânea que, diferente das que estamos acostumados a ver entulhando as prateleiras das livrarias (em sua grande maioria, pagas pelos próprios autores, que por sua vez são obrigados a adquirir cotas especificas dos livros) possui mais pontos altos do que baixos. O primeiro deles é exatamente o fato citado anteriormente, da participação da coletânea ser gratuita. Os autores enviam os textos para a editora, que faz uma seleção dos melhores e publica o trabalho, sem qualquer obrigatoriedade de aquisição de cotas por parte dos autores. Isso permite a realização de um trabalho mais apurado de seleção dos textos, deixando somente os que se enquadram no padrão de qualidade da editora (um pequeno parêntese aqui para lembrar que isso não quer dizer necessariamente que as coletâneas pagas são ruins. Existem ótimos exemplos desse tipo de coletânea que possuem uma qualidade literária impar).

O segundo ponto forte dessa coletânea, ao meu ver, é a diagramação. Em um mercado editorial que “sofre” com a facilidade de publicação (convenhamos… Tendo dinheiro é relativamente fácil publicar um livro hoje em dia) e com a concorrência dos inúmeros títulos que abarrotam as livrarias atualmente, é necessário que haja um diferencial coerente, caso você queira se destacar nesse mercado tão concorrido. E o diferencial da Editora Estranho está, ao meu ver, (além, é claro, da qualidade literária) na diagramação. Com belíssimas ilustrações de capa e contracapa, além da fonte dos títulos coerente com a proposta do livro, “Le Monde Bizarre” (não conheço os outros títulos da editora, mas ao que parece, todos possuem esse tratamento especial) é um ótimo exemplo de como utilizar o artificio da imagem em um livro sem torná-lo demasiadamente infantil ou piegas.

Um terceiro ponto positivo que gostaria de acrescentar é o modo sobre como funciona o processo de seleção dos contos. Diferente das coletâneas que fornecem uma temática básica e os autores podem se aventurar da forma que quiserem, nas coletâneas da Editora Estronho uma ideia principal é idealizada pelos autores e esmiuçada em detalhes na página do livro. O autor que quiser participar deve enviar o conto de maneira que se enquadre e tenha elementos baseados naquela história detalhada pelos idealizadores. Além de fornecer uma coesão textual lógica para os diversos contos, (que apesar de serem de autores diferentes, possuem toda uma ambientalização característica do universo idealizado pelos organizadores, tornando-os assim mais “próximos” uns dos outros), isso permite que os autores exercitem suas respectivas imaginações, “forçando-os” a levarem seus processos criativos ao limite. Mas chega de lenga lenga e vamos ao que interessa… Segue abaixo um pequeno resumo de cada um dos 14 contos do livro, só para aguçar um pouco mais a sua curiosidade (pode conter alguns pequenos spoilers, mas nada que atrapalhe a leitura).

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Contos

À Cidade de Metrópia (Kássia Neves Monteiro): O primeiro conto abre a coletânea com chave de ouro. “À Cidade de Metrópia” trata-se, na verdade, de uma carta escrita por um ex-integrante da trupe do Sr. Serge Tissot, onde ele tenta avisar aos moradores de Metrópia sobre os perigos trazidos pelo circo que está prestes a chega na cidade.

Desfile (Duda Falcão): “Le Monde Bizarre: O Circo dos Horrores” está chegando na cidade. Num desfile pelas ruas principais, as incontáveis aberrações são inicialmente apresentadas para um público boquiaberto. Mal sabem eles que coisas mais bizarras ainda acontecerão na primeira (e única) apresentação da trupe pela cidade…

Freak (Alexandre Heredia): Um homem deformado desde o nascimento, descobre por “acidente” que ao digerir parte dos corpos de outras pessoas ele é capaz de assimilar suas características. Começa assim uma verdadeira carnificina em busca da perfeição estética. Com referências às melhores tragédias gregas, Alexandre Heredia escreveu um conto de terror simplório, mas ao mesmo tempo macabro e cativante. O único defeito dele foi não ter mais páginas.

Sinfonia dos Mortos (Pedro de Almada): “Le Monde Bizarre, o Circo dos Horrores” está na cidade. O garoto de rua, Bernard, descobrirá da pior forma possível que a missão desse macabro espetáculo definitivamente não é fazer rir.

Jackie (Celly Borges): Jackie é uma das pequenas atrações do bizarro circo dos horrores de Serge Tissot. A diferença é que Jackie não possui coração, sendo obrigada a permanecer numa busca constante atrás de um. Em seu conto sutilmente macabro, Celly Borges soube captar como ninguém a atmosfera obscura e ao mesmo tempo sensível, das aberrações do “Le Monde”.

Medicina Transformadora: Um Contrato Poderoso (Valentina Silva Ferreira): Na praia de Figueira da Foz, em Portugal, o anfitrião do circo dos horrores, Serge Tissot, está atrás da mais bela das mulheres. Mas o que ele pretende fazer com ela em um circo de aberrações?

O Garoto de Ferro (Lucas Lourenço): O Pequeno Smutny, órfão de pai e mãe, sofre constantemente com os maus tratos por parte do seu padastro, até o dia em que se depara com o “Le Monde Bizarre” e tem sua vida mudada para sempre.

O Maior Espetáculo da Terra dos Mortos (Rochett Tavares): A trupe de artistas circenses do “Le Monde Bizarre” chega ao pequeno vilarejo de Vrimulesch, só para descobrirem que nesse mundo existem bizarrices maiores do que eles próprios.

Sake em Aokigahara (Iam Godoy): Acompanhe a história de Ukiyo Yamanaka, um homem cuja estranha profissão (catador de corpos em uma floresta japonesa, famosa pelo índice de homicídios) acaba levando-o de encontro ao “Le Monde Bizarre” e à coisas bem piores do que a própria morte.

Pesadelo Interminável (João Manuel da Silva Rogaciano): Quando criança ele presenciou a morte dos seus pais, amigos e vizinhos, pelas mãos da obscura trupe do “Le Monde Bizarre”. O garoto, entretanto, cresceu, e acabou, como que numa maré de sorte (ou seria azar?) esbarrando mais uma vez com o circo e com a oportunidade de sua tão esperada vingança.

Remendos da Carne (Rafael Sales): Artur, um estuprador pedófilo está prestes a encontrar a “justiça” pelas mãos de uma das atrações do “Le Monde Bizarre”, com a qual possui uma estreita ligação.

O Trailer (A. Z. Cordenonsi): Um trailer e uma senhora de idade aparentemente inocente. O que tais figuras tem de anormal? Nada, a não ser a aparente forma como o trailer parece simplesmente mudar, de uma hora para outra. Um mistério que o jovem Bernard irá até as últimas consequências para conseguir desvendar.

Faça Seu Pedido (G. Araujo): Um caderno de desejos e a vontade de uma atriz de deixar os papeis coadjuvantes de lado para se tornar uma estrela, ainda que para isso tenha que pagar um preço muito maior do que ela imagina. Elementos que unidos proporcionam uma ótima história de terror escrita pela paulista G. Araujo.

O Ocupante do Carro Vermelho (M. D. Amado): Uma das aberrações do “Le Monde Bizarre”, “filho do próprio Demônio”, nas palavras do anfitrião Serge Tissot, esconde um segredo que pode por em xeque o futuro do próprio circo dos horrores.

Edilton Nunes

Edilton Nunes

Graduado em Letras pela UEG (Universidade Estadual de Goiás), viciado em literatura de terror/suspense, amante incondicional de séries e Hq´s e fã de carteirinha do mestre Steve há pelo menos 20 anos.

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