Estamos lendo Stephen King?

lendoking

Logo depois de eu terminar minha releitura do 11.22.63, fiquei pensando em como seria difícil a tradução desse livro. Quero ver o tradutor conseguir adaptar todas as gírias americanas dos anos 50 para um bom português. Na minha opinião, vai chover supimpa no texto brasileiro.

Não sei como, mas procurando sobre o 11.22.63 na comunidade do SK no Orkut, acabei caindo num tópico falando sobre as péssimas traduções recebidas pelos livros do Stephen King lançadas no Brasil. Esse não é um tema atual, ele sempre volta e novas opiniões são agregadas.

Eu reli o tópico inteiro, procurei por mais citações sobre as tais “péssimas traduções”, e consegui chegar a duas conclusões universais: todas as traduções lançadas pela editora Francisco Alves são ruins e todas as traduções lançadas pela Objetiva são ruins, com exceção dos últimos três livros. Eu imaginei que isso era meio radical para ser afirmado, afinal, nem todas as traduções são ruins.

Há 8 anos que não leio um livro do King em português, não lembro mais como os livros são escritos, sobre o estilo da tradução, ou se existem poucas ou muitas notas de rodapé. Nem sequer lembrava de alguns títulos! E também não me lembrava de ter lido tantos erros. Alguns eu tinha certeza, e vi os mesmos serem repetidos no tópico do Orkut. Só que eram os mesmos… isso indica que as traduções são péssimas?

Traduzir um livro não é fácil, porém não é impossível. Não é uma tarefa utópica tentar traduzir um livro o mais fiel possível. Se existem traduções magníficas de autores russos e japoneses (e não precisa ser os autores cânones do passado, pode ser qualquer livrinho de amor de banca de revista original em russo ou japonês), por que não existem traduções excelentes do Stephen King para a língua portuguesa?  Ou melhor, se elas existem, por que não são congratuladas?

Toda essa discussão me lembrou de algo que nossos hermanos da Argentina já fizeram. Para os que não sabem, a Argentina tem praticamente todos os livros do King traduzidos, lançados dois ou três meses depois do lançamento americano, deixando qualquer brasileiro com inveja. Em 2001, um argentino resolveu analisar dois livros (Apanhador de Sonhos e A Garota que Amava Tom Gordon) e suas respectivas traduções. O resultado final foi bizarro, não só as traduções eram cheias de erros, Apanhador de Sonhos tinha quase 70 páginas de material deletado e Tom Gordon tinha mais erros por página do que qualquer outro livro. Esse argentino constatou que, em alguma parte dos casos, os livros são 70% tradutor e 30% Stephen King. O problema na Argentina é que nada é traduzido por lá, as traduções vem da Espanha e são readaptadas para o espanhol local (não aconteceu algo similar com os livros do George Martin no Brasil? ). Essas traduções compradas são feitas em menos de 2 meses!! e normalmente o tradutor não tem qualquer afinidade com o texto, ele trabalha como uma máquina convertendo palavras. Só que esse é um caso isolado da língua espanhola, e atualmente não acontece mais (o tradutor de Apanhador de Sonhos e Tom Gordon acabou sendo demitido e os livros foram retraduzidos e grande parte dos títulos antigos passaram por um copidesque).

E será que isso ocorre no Brasil também? Será que temos livros com erros absurdos de tradução ou com frases faltando? Ou pior, com páginas faltando?

Até agora só falei de possíveis erros e não mostrei nenhum, então vamos para a parte prática. Não me importa se uma ou outra palavra se perdeu na tradução, para a frase em português ter sentido. O que importa é a palavra “orc” ter sido traduzida como “orca” e não como “orc” ou “ogro” (no livro A Dança da Morte), ou “beetle” virar “besouro”, quando no texto ele seria um “fusca”  (Eclipse Total), ou “ice” virar “neve”, quando na verdade é “gelo” (Zona Morta), ou coisas mais adaptativas como o nome “Gerald” ser “Geraldo” (Jogo Perigoso), ou “Barrens”, um local importante na cidade de Derry, virar simplesmente uma vegetação “tundra” (Insônia). E o melhor de todos, o abrasileiramento de expressões, no caso do livro O Talismã, a personagem “estava suja feito o Cascão da Turma da Mônica”. (esse caso merece atenção especial, pois muitas pessoas são a favor desse tipo de adaptação, outras não.)

Quanto a questão de cortes no texto, as únicas informações que tenho são as seguintes: dois parágrafos foram excluídos do conto Tudo o que Você Ama lhe Será Arrebatado e as primeiras edições de Zona Morta são suspeitadamente curtas, chegando a ter quase 70 páginas a menos que as versões atuais. Claro que o espaçamento, tamanho da fonte e outras coisas influenciam no número de páginas, porém eu sempre fiquei com essa impressão de que o livro tinha algo de errado.

Então, o que vocês acham? Será que as traduções são realmente ruins? Será que lemos mais tradutor do que King? Ou é tudo um grande equívoco? Deixe seu comentário sobre esses possíveis erros de tradução, e o que você acha das obras até agora lançadas. Caso alguém saiba de outro erro, não deixe de compartilhar!

Luis

Fã de King desde 2002, leitor compulsivo e colecionador.

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6 Responses to “Estamos lendo Stephen King?”

  1. Edilton Nunes Edilton disse:

    Lendo Angústia me deparei com algumas situações bem estranhas. No início do subcapitulo 9, do primeiro capítulo, Annie Wilkes fala sobre o uso dos palavrões no livro mais recente do Paul, mas pelo que eu vi as palavras “fortes” foram minimizadas na tradução (eu não considero como “maldito” e “droga” palavras fortes rsrs).

    Em outro trecho que fala sobre o divórcio dela, a data está 43 de agosto de 1880. No início pensei que se tratava de um erro de tradução (em 1880 os meses tinham 43 dias?) mas logo vi que no original também estava assim (Annie se afobou na hora de anotar a data e escreveu errado ou o King e seu revisor estavam tão chapados na hora que deixaram passar rss). Mas dai o próprio Morakes me atentou para um detalhe. Na frente da data tem escrito algo como “Foda-se!”, que não foi traduzido na versão da Francisco Alves.

    Tem diversos outros “errinhos” que, ao meu ver, não atrapalham no entendimento e no processo de imersão da obra (Ainda não terminei de ler, mas posso dizer que foi o livro dele que mais gostei até agora). O duro é quando acontece como os casos em que o Morakes citou, onde os tradutores simplesmente somem com páginas e mais páginas da história. Mas creio que as traduções dos relançamentos estão bem mais competentes. Gosto bastante do trabalho que está sendo feito pela Suma (os livros traduzidos pelo Fabiano ficaram ótimos). Estou curioso pra conferir a tradução da Beatriz de Medina de “Under the dome” e “22/11/63”.

  2. Regiane disse:

    Eu leio em português na maioria das vezes, mas acho q pode ser uma combinação de tudo. Tem coisa boa, coisa ruim, sobre a adaptação do ‘sujo feito cascão’, não tenho uma opinião final formada, mas prefiro q isso não ocorra.

  3. Cláudio disse:

    Eu terminei recentemente a leitura de “Talismã” e deparei com a frase “estava suja feito o Cascão da Turma da Mônica”. Confesso que não gostei! Eu prefiro as notas nos rodapés. Na minha opinião as notas ao rodapé expande o conhecimento. Acho que a contextualização aumenta o conhecimento de quem lê. Sinto-me de certa forma frustado por não dominar bem o inglês ao ponto de ler um livro do mestre King no original. Gostaria muito de ter um livro com capa hardcover+jacket, lendo em inglês. Acho que podemos ter um trabalho mais bem acabado. Acho impossível não termos um tradutor a altura de Stephen King!!

  4. Joe disse:

    Deixei de comprar 11/22/63 por causa da tradução de Under The Dome.
    A tradução de Under the Dome é um LIXO! “Eu Coração a Nova Inglaterra” PAG 110. Sem falar em “E agora o maior sucesso do verão eram camisetas com QUE TAL UM AÇAÍ NO BURPEE?”pag 141
    Isso é um desrespeito ao leitor, que pagou caríssimo.MAria Beatriz de Medina deveria voltar a trabalhar com publicidade . E ela ainda diz que pesquisou…
    Vejam o link abaixo:
    http://www.kingofmaine.com.br/miscelanea/entrevistas/maria-beatriz-medina/

  5. Pharmakon disse:

    Joe, no original é I HEART NEW ENGLAND. Nenhum erro aqui.

  6. Edilton Nunes Edilton Nunes disse:

    Concordo com o Pharmakon Joe. O que tanto ela quanto o king quiseram dizer, creio eu, são aqueles dizeres em camisetas do tipo “Eu ♥ Nova York”.

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