Livro da semana: “Insônia”

Título Original: Insomnia
Título Traduzido: Insônia
Ano de Publicação: 1994
Personagens Principais: Ralph Roberts, Átropos, Clóto, Laquésis, e Edward Deepneau
Cidade da História: Derry
Estados da História: Maine
Adaptação: ——–

Sinopse

Ralph Roberts é um senhor de idade, um pacato aposentado, vivendo numa cidadezinha do interior, que perdeu as noites de sono tranquilo depois que sua mulher falaceu, perdendo a longa batalha contra o câncer. Apesar das inumeras tentativas caseiras e das receitas recomendadas pelos especialistas, Roberts permanece passando o resto de suas noites em claro, e, consequentemente, os dias se arrastam em um estado constante de esgotamento. Devido a isso ele passa a ter visões, onde começa a enxergar a “aura” das pessoas, animais, plantas e etc. Ralph se vê mergulhando em um mundo misterioso e igualmente assustador, quando a única coisa que realmente queria era dormir em paz. É então que aparece o químico Ed Deepneau, que também andava percebendo coisas estranhas acontecendo ao seu redor. Os dois acabam, subitamente, mergulhados em uma guerra entre mundos invisíveis, com pessoas que eles não podem ver a espreita e um fio tênue, que a todo momento ameaça se desatar e romper suas vidas. O palco disso tudo é mais uma vez a pacata Derry, no Maine, que será alvo de forças desconhecidas e igualmente arrasadoras.

Resumo detalhado (Contém spoilers)

Imagine a história de um velhinho de 70 anos, esquentado e rabugento, viúvo recente, sem filhos, com problemas de insônia e de solidão, e que mora em uma cidade do interior onde nada de anormal acontece. Provavelmente uma história assim não seria do interesse de muitos leitores, principalmente dos entusiastas do gênero de ficção e de terror. Não seria se o autor não fosse o aclamado mestre universal do terror, Stephen King. King consegue transformar um idoso, com virtudes e defeitos próprios, não somente no ator principal desta aventura fantástica, como também no herói que todos gostaríamos de ser. Nem que seja aos 70 anos de idade.

A velhice é uma ilha cercada de morte?. Assim, começa a história de Ralph Roberts que, após a perda de sua esposa para o câncer, passa a ter suas noites de sono gradativamente diminuídas. Apesar dos métodos recomendados por especialistas e das receitas caseiras de conhecidos (todo mundo parece saber alguma!), ele se vê fadado a passar o resto de suas noites em claro e de seus dias em um estado permanente de esgotamento. O pior é que ele começa a ter visões de hiper-realidade, onde passa a enxergar auras multicoloridas. Estas auras modificam de forma e cor conforme as preocupações, sentimentos e a saúde da pessoa observada naquele momento.

Ralph também passa a conhecer personagens visíveis somente quando está na hiper-realidade, alguns sendo bons, outros maus. Quando descobre que estes estão diretamente relacionados a algumas mortes em sua vizinhança, bem como na mudança radical do temperamento de seu vizinho, Ralph é forçado a decidir se participa ou não em uma luta superior entre as forças do Desígnio e do Acaso. Apesar de não saber a princípio qual é o seu papel neste jogo, ele descobre que passou a ter estranhos poderes e que não está absolutamente sozinho nesta batalha.

Frases como “Cada coisa que faço, faço-a depressa para poder fazer mais outra”, “O que está feito não pode ser desfeito” e “É longa a viagem de volta ao paraíso” vão tomando uma proporção diferente a cada capítulo.

A trama é muito bem elaborada e nos faz repensar sobre assuntos diversos que costumamos ouvir sendo debatidos rotineiramente. Será que o direto de escolha ao aborto é melhor do que o direito à vida de quem ainda não tem escolha? Até que ponto você está inclinado a defender uma causa? E se descobrisse que fora manipulado por outros que querem um objetivo totalmente diferente do que lhe foi repassado? Devemos interferir em casos de violência doméstica? Qual é o limite entre a sanidade e a loucura? Que tipo de sacrifícios em prol de quem você ama está disposto a fazer?

A velhice não é o fim, mas um recomeço. A solidão de perder gradualmente os entes queridos à medida que os anos vão passando, bem como o preconceito por pertencer a uma classe relegada a viver apartada para não atrapalhar a vida dos mais novos podem (e devem) ser superados. As alegrias da velhice ainda são perceptíveis no companheirismo, no amor, no xadrez com os amigos, no carteado das comadres, no bate-papo com os vizinhos, nas caminhadas pela cidade. O verdadeiro amor ultrapassa os limites da morte.

Mas a grande questão na história que King nos apresenta é outra: Será que temos livre-arbítrio para decidirmos nossos destinos ou a nossa vida já está programada desde o início até o fim? Será que todas as nossas escolhas, se não cumprirem a um desígnio menor, não estão obedecendo a um desígnio maior? O acaso pode intervir em nossa vida, ou o acaso também faz parte do desígnio? Bem, para responder a pelo menos algumas destas perguntas, experimente ler Insônia, e descubra se isto estava escrito no seu destino ou se foi simplesmente acaso.

Curiosidades

  • Ralph Roberts e Joe Wyzer tem participações na novela “Saco de Ossos”
  • Há uma referência a novela “O cemitério”, quando Ralph vê o sapato de Gage Creed.
  • Há várias referências à Torre Negra, com, inclusive, a participação do Rei Rubro (vilão da série) e de Patrick Denville, personagem que voltaria a dar as caras no último livro da série.
  • Ralph tem um sonho com sua esposa sendo enterrada na areia e morrendo afogada. Temos aqui uma referência a “Creepshow”, numa das histórias da HQ escrita por King e George Romero.
  • Também há várias referências ao romance “A coisa” (que preferimos omitir aqui para não soltarmos um spoiler desavisado).

Capas

Resumo por: netsaber.com.br
Edilton Nunes

Edilton Nunes

Graduado em Letras pela UEG (Universidade Estadual de Goiás), viciado em literatura de terror/suspense, amante incondicional de séries e Hq´s e fã de carteirinha do mestre Steve há pelo menos 20 anos.

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12 Responses to “Livro da semana: “Insônia””

  1. Priscilla Rúbia disse:

    Já li o livro e é um dos pouquíssimos de King que achei chato, porém tem tempo que li e fiquei com vontade de ler novamente pra ver se mudo de idéia.

  2. @cyberlivingdead disse:

    Eu amei esse livro, apesar do ritmo dele ser bem ao estilo “passo-a-passo”, o que pode parecer entediante, o que realmente cativa nele é a riqueza de detalhes sobre a personalidade do Ralph. Na primeira vez que li não conhecia ainda a saga “A Torre Negra”, portanto não fiquei tão espantado com a presença do Rei Rubro. Agora quando descobri A Torre tratei logo de reler! É um livro, que assim como Love e Bag Of Bones, King fala sobre o luto por um cônjuge, acho que por esse fator ele também tem esse peso que faz a leitura ser em alguns momentos um pouco difícil….mas acreditem, vale muito ler esse! O próprio King diz em Torre Negra! (pequeno spoiller kkkkkkkkkkk)

  3. Barbara Turibio disse:

    Apesar de mts não terem gostado desse livro eu o adorei.
    Confesso que demora um pouquinho pra entender exatamente a funcionalidade desta hiper realidade, o fio da vida, os “anãozinhos” com as tesouras,mas depois que vc enxerga tudo isso fica mais fácil entender toda a trama e quando ler o Saco de Ossos e Torre Negra tanta coisa se encaixa. Além de que reencontrar alguns personagens e cenas de outros livros sempre é uma boa surpresa. O King consegue criar mundos e histórias que no final estão tão interligadas que é como se vc fizesse parte e conhecesse cada um pelo nome, história de vida,… Adoro!

  4. Amanda Murta disse:

    Mágico. O livro é lindo. O livro é maravilhoso. É mágico.

  5. RafaeL\\\' disse:

    Esse livro foi a cura pra MINHA INSÔNIA:me deu muito sono,achei-o lento e arrastado,tanto que parei na metade,e nunca mais li.só o comprei pra por na minha coleção mesmo,mas falta alguem me dizer que ele vale a pena,pra talvez eu me apegar com ele .

  6. RafaeL\' disse:

    Esse livro foi a cura pra MINHA INSÔNIA:me deu muito sono,achei-o lento e arrastado,tanto que parei na metade,e nunca mais li.só o comprei pra por na minha coleção mesmo,mas falta alguem me dizer que ele vale a pena,pra talvez eu me apegar com ele .

  7. Lana Francielle lanafsipe disse:

    O livro no início é bem lento mesmo, sem ação, cansativo, mas depois fica muito bom!!

  8. RafaeL' disse:

    Agora me respondam uma coisa,por favor:
    POR QUE AS CAPAS DOS LIVROS LANÇADOS NO EXTERIOR SÃO TÃO BOA,TÃO ASSUSTADORAS,E AS LANÇADAS AQUI SÃO VERGONHOSAS?
    poxa vida,eu fico com muita raiva,vendo a capa,por exemplo,do Iluminado (da objetiva),ou mesmo a capa do Insônia.
    não transmite nada do livro.
    acho que as únicas capas que agradam 100% dos fãs do King são as capas da Torre!
    quando eu comprei o volume 1,e vi a capa pela primeira vez,confesso que fiquei besta!é uma capa muito diferente das outras,com muito mais capricho e carinho para com a história.
    ta bom,eu estou sendo chato em relação as capas,mas vendo as capas internacionais que o autor postou no fim do tópico,a gente pode comparar e ver como ficou um trabalhinho porco as capas nacionais …

  9. […] personagens estão presente no livro “Insônia“, contudo nesta obra eles não são mulheres, mas sim homens de baixa estatura que se vestem […]

  10. Lady M disse:

    Esse livro é fantástico, não tenho palavras para descrever. Não sei se gostei tanto porque eu também estava sofrendo de insônia na época ou porque é bom mesmo, mas o livro tem um personagem tão profundo, e o desenrolar da história é ótimo. Claro que não tem muita ação, ou é agil, na real é lentinho, mas ainda assim muito divertido. E certas frases ficam presas na sua mente a ponto de eu me pegar cantando “Hey,hey, Susan Bay (whatever como se escreve), assassina de bebês”.
    As pessoas me olham torto quando lanço isso do nada, mas isso grudo na minha mente, até escrevi uma one-shot sobre, é um dos livros que mais gostei do King.

  11. Viv disse:

    “Devemos interferir em violencia domeatica?” Na boa isso nem e mais resposta. Nao quando milhares de mulheres sao assassinadas por seus companheiros a cada ano.

  12. Edilton Nunes Edilton Nunes disse:

    Bom, mas o post não se propôs a dar uma resposta (não foi uma pergunta retórica, foi justamente para fazer o leitor pensar). Em momento algum negamos que a violência doméstica existe e que faz milhares de vítimas todos os dias. Abraço!

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