Livro da Semana: The Girl Who Loved Tom Gordon

Título Original: The Girl Who Loved Tom Gordon
Título Traduzido: Livro ainda sem tradução
Ano de Publicação: 1999
Data de Publicação nos EUA: 06/04/1999
Ano de Publicação no Brasil:
Personagens Principais: Trisha McFarland, Quilla Andersen, Tom Gordon, Pete McFarland, The Bear
Adaptação:
Disponível no Brasil pelas Editoras:
Disponível nos EUA pelas Editoras: Charles Scribner’s Sons

Patricia “Trisha” Macfarland é uma garotinha de nove anos de idade, fã de basebal e do jogador Tom Gordon dos Red Sox. Durante uma caminhada com sua mãe e seu irmão na floresta, ela se perde ao procurar um lugar onde pudesse se “aliviar”. Na verdade, ela aproveitou a deixa para se distanciar um pouco da mãe e do irmão. Os dois discutiam sobre a vontade de seu irmão, Pete, ficar com o pai após o divórcio deles. Eles foram obrigados a sair de Boston e se mudarem para o subúrbio do Maine, e desde então Pete passara de um garoto de vida bem estruturada e centrado, para vítima constante do bullying dos colegas de escola.

Quilla, a mãe de Pete e Trisha, parece ser o tipo de mulher de fibra, centrada, decidida e independente. Pete, por sua vez, possui um gênio bem parecido com o da mãe, o que faz com que o embate entre os dois seja algo constante na vida de Trisha. Enquanto o irmão é mais explosivo, Trisha possui qualidades semelhantes às do pai, e é uma garota mais tranquila e pacata, ao seu jeito. No momento em que se perdeu, ela só queria uma coisa; que os dois parassem de discutir. Essa instabilidade familiar parece ser o mote principal da história. Com um pai alcoólatra e um irmão subjugado pelos colegas de escola, Trisha se sentia como um fraco elo que unia de maneira precária e nada eficiente o pouco que ainda restara de sua família.

Trisha é uma menina muito imaginativa e inteligente e assim como muitos personagens mais novos de Stephen King, parece muito madura para a idade que tem. É essa imaginação, inclusive, que ela usa como uma espécie de válvula de escape, em muitos momentos do livro, para contornar os problemas conjugais e paternais enfrentados por sua família. A questão da fé de Trisha, da esperança não apenas em ser resgatada, mas que sua vida melhore, de maneira geral, é tratada de maneira bem explicita na história e ainda que seja um romance curto, King o faz sem impelir pressa à narrativa, em um ritmo cadenciado e por vezes agradável, ainda que em alguns momentos a leitura se torne um pouco monótona (falaremos disso mais adiante). Desse ponto de vista, The Girl Who Loved Tom Gordon (A Garota que Amava Tom Gordon, em tradução livre) é um romance brutal, com alegorias no mínimo interessantes, numa reafirmação constante da condição do espírito humano de superar e sobreviver às mais adversas dificuldades.

Em certos momentos do livro você tem a impressão de que tudo aquilo não passa de uma maneira que a própria Trisha talvez tenha criado em sua mente imaginativa para se desvencilhar dos problemas de casa (e, de maneira metafórica, talvez o seja), apesar de permanecer claro, em boa parte do romance, que ela insistia em manter a mente lúcida, ao alcance de seu “mundo real”. Isso fica mais evidente ainda no momento em que ela sofre um acidente e pensa ter quebrado seu Walkman, que ela usava para ouvir os jogos do Red Sox (e, consequentemente, de seu jogador favorito, Tom Gordon) e única ligação física com as vozes do mundo exterior. Ver-se separada das vozes “reais” era uma ideia que aterrorizava Trisha, e essa ideia era reforçada pelas lembranças que ela tinha de sua família. Trisha queria seu mundo real, sua vida real, mas sua vida de outrora, a que não existia mais, e não o conturbado universo no qual ela fora, a contragosto, largada. Se fosse assim, talvez fosse melhor ficar na floresta.

E por falar na floresta, eis outro ponto interessante do livro. Ela faz o papel de um personagem à parte, já que na medida em que nos aprofundamos na leitura, percebemos que ela parece “viva”, orgânica, de alguma maneira nada natural, até mesmo para a mente imaginativa da pequena Trisha. Ela não vê claramente, mas sabe que há algo escondido, à espreita, por trás dos arbustos retorcidos das árvores velhas da floresta. Uma “Coisa” (os leitores mais atentos perceberão a referência ao nosso querido Pennywise aqui), apenas esperando pacientemente o momento certo para agir.

As alusões e referências à cultura pop são recorrentes através dos jargões e termos utilizados no baseball (esporte pelo qual Steve é assumidamente aficionado), característica já marcante em boa parte da obra de King. Apesar desses detalhes, do livro ser relativamente curto e do plot principal se mostrar bastante interessante, a falta de acontecimentos realmente relevantes durante boa parte da história talvez torne a leitura um tanto quanto maçante para alguns leitores desavisados e desacostumados com o “estilo” de Steve. Existe a tensão gradativa de praxe, porém aqui ela não é tão explícita e por vezes chegamos a esquecer do perigo pelo qual Trisha está passando ao nos perdermos, junto com ela, em suas divagações pessoais e demoradas descrições da floresta. Quem sentiu certa monotonia ao ler O Senhor dos Anéis (mais precisamente os trechos mais descritivos do livro) saberá mais ou menos do que estou falando. É claro que isso não inviabiliza a leitura, mas foi um ponto que achei importante falar.

Uma curiosidade; Em determinado trecho do livro a mãe de Trisha acorda assustada, no quarto de motel onde está hospedada, exatamente no momento em que ela está passando perigo. Algo bem semelhante com o que Denny fez ao enviar uma mensagem telepática para Dick Hallorann, o cozinheiro do Hotel Overlook. O que indica, de maneira indireta, que Trisha pode ser uma “Iluminada”. Outra referência interessante é que o Sacerdote Vespa em alguns momentos é chamado de “Coisa”, o que talvez denuncie que ele pode ser “apenas” uma das formas assumidas pelo palhaço que conhecemos como Pennywise.

The Girl Who Loved Tom Gordon foi lançado nos EUA há longos 17 anos e nunca foi publicado no Brasil, e acredito que nunca será. O fato de ser um livro curto, que exige certo grau de conhecimento prévio básico sobre o assunto (se você não é fã de baseball, talvez se perca em alguns momentos em meio aos termos usados comumentemente no esporte) e cujo “timing” de publicação já passou, colabora para que isso não aconteça (Hearts in Atlantis sofreu do mesmo mal). Porém, é um livro relativamente fácil de encontrar em inglês (e em português também, graças às traduções amadoras dos fãs) e sua leitura não chega a ser complexa, até mesmo para quem não possui o inglês tão afiado. Lá fora, assim como a maioria dos livros de Steve, ele já teve versões normais, de bolso e até mesmo uma versão pop-up (confira as imagens abaixo). Apesar de não estar na lista de melhores trabalhos, é uma leitura que definitivamente vale o tempo gasto.

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Versão Pop-Up de “The Girl Who Loved Tom Gordon

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Edilton Nunes

Edilton Nunes

Graduado em Letras pela UEG (Universidade Estadual de Goiás), viciado em literatura de terror/suspense, amante incondicional de séries e Hq´s e fã de carteirinha do mestre Steve há pelo menos 20 anos.

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One Response to “Livro da Semana: The Girl Who Loved Tom Gordon”

  1. Samuel caetanno disse:

    Olá! Tenho esse livro em e-book, em português! Quem se interessar, entre em contatos por e-mail (samrapper@hotmail.com) ou chame no whats: (31) 7357-6792

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