O que vem por ai: Resenha de In the Tall Grass

Aparentemente 2012 era para ser um ano fraco de produções kinguianas. Com o estrondoso lançamento de 11/22/63 no final de 2011, o único lançamento de 2012 seria o episódio extra da série Torre Negra, The Wind Through the Keyhole. Os dois novos livros já anunciados (Dr. Sleep e Joyland) foram jogados para o primeiro semestre de 2013, deixando os fãs de King sem nada de novo para ler no resto deste ano.

Como sempre, Sr. King tem uma carta escondida na manga e lança um conto escrito em parceira com seu filho e também autor, Joe Hill. Este conto chamado In The Tall Grass apareceu nas edições de julho e agosto da revista Esquire de 2012. Esta não é a primeira colaboração entre pai e filho. O conto Throttle, lançado primeiramente como áudio e numa edição comemorativa ao autor Richard Matheson, foi a primeira vez que os Kings escreveram algo juntos. (Este conto recebeu uma versão em HQ alguns meses atrás).

In The Tall Grass narra a história Becky e Cal DeMuth, dois irmãos muito unidos, que decidem fazer uma viagem pelo Kansas, logo após descobrir sobre a gravidez acidental de Becky. Em um certo momento da viagem, eles passam por um terreno com uma grama muito alta e ouvem um garotinho gritar por socorro. Eles resolvem parar o carro e ir investigar.

A primeira parte da história possui uma premissa muito interessante. Nós temos o casal de irmãos investigando o matagal atrás do garoto e, enquanto acompanhamos o progresso dos dois, eles vão perdendo o senso de direção e distância e tempo. Em pouco tempo, eles estão completamente perdidos. Um pouco similar a Crianças do Milharal e The Girl Who Loved Tom Gordon, a primeira parte é um ensaio sobre a desorientação.

“- E o garoto? Foda-se o garoto, Becky! Agora isso aqui é sobre nós!

A segunda parte leva a história para outra direção, e como a própria revista Esquire diz em sua capa: “Agora as coisas ficarão estranhas”. Embora não tenha como descrever essa segunda parte sem contar elementos chaves do conto, posso mencionar que uma das passagens lembra muito o conto N., no qual um círculo de pedras consegue levar um homem à loucura. No In The Tall Grass, nós também temos uma pedra, mas a função que ela exerce na história nos ajuda a entender como os irmãos conseguiram se perder tão facilmente nessa grama alta, e o porquê deles não conseguirem se encontrar mesmo seguindo a voz um do outro.

Uma das melhores qualidades do conto é a alternação dos elementos de horror. Enquanto temos a desorientação da primeira parte, na segunda temos o horror puro, o descobrimento de corpos dentro do matagal, o fato de alguém ou algo estar atrás do casal de irmãos, a gravidez de Becky e um possível nascimento prematuro devido ao estresse. Todos esses elementos ajudam a situar o final do conto, com umas das cenas mais nojentos escritas por Stephen King e Joe Hill (vale lembrar que King escreveu No Maior Aperto, provavelmente o conto mais nojento de toda a sua carreira).

In The Tall Grass é um bom conto. Ele explora novas idéias que nem mesmo King ou Joe Hill tinham usado, além de mostrar que pai e filho conseguem criar bons produtos juntos. Provavelmente essa não será a última colaboração entre os dois, e esperamos que os projetos futuros sejam tão bons quanto este.

In The Tall Grass pode ser encontra na revista Esquire de julho e agosto de 2012. Sem previsão de lançamento no Brasil, este conto deverá permanecer inédito até que seja incluído em alguma nova coletânea. 

 

Luis

Fã de King desde 2002, leitor compulsivo e colecionador.

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3 Responses to “O que vem por ai: Resenha de In the Tall Grass”

  1. Elton SDL disse:

    Puxa! Deu muita vontade de ler. Será que a equipe SK Brasil trabalhará em alguma tradução desse conto?

  2. Edilton Nunes Edilton disse:

    Ainda não há planos Elton (muito trabalho pela frente rs). Mas se alguém se disponibilizar, eu tenho a revista aqui com o conto em questão.

  3. Leon Nunes disse:

    Seria uma boa acaso a equipe do SK Brasil fizer uma tradução deste conto. Tenho certeza que, tanto os fãs transitórios de King quanto os mais ferrenhos, mesmmo tendo traduzido, uma vez publicado em novo tomo de contos, coprarão o livro sem titubear.
    No mais, é isso.
    Abraços Edilton.
    Leon Nunes, Escritor

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