CARTA ABERTA

Cara Spotlight,

Até pensei em fazer isto em forma de HQ – eu e você trocando idéias em um bar deserto e empoeirado, quem sabe na cidade de Tull, enquanto o velho Sheb manda “Hey Jude” no piano, e aí eu começaria a ver criaturas estranhas nos cantos... e uma tempestade de areia se armaria lá fora... e uma Gangue Mutante viria chegando. Porque é assim que minha mente funciona. Logo ia se transformar em um conto, e eu ficaria aqui a noite toda. Então terá que ser uma carta. Uma divagação.

Se bem que aquele roteiro seria divertido, n’est-ce pas? Mas tudo bem.

Perguntei a Chuck Verrill (meu agente) se ele lembrava como acabei na cama com a Marvel (comigo é sempre amor, nunca negócios) e ele disse que, uma vez, respondendo sobre com quem gostaria de trabalhar – talvez até na Marvel Spotlight! – Joe Quesada disse: “Stephen King”. Alguém me enviou isso e aí eu contei – para Chuck ou Marsha DeFilippo (minha assistente) – que trabalhar com a Marvel seria maneiro. Eu posso ter crescido, mas os quadrinhos também cresceram, e na verdade nunca os deixei de lado.

Não sei quem foi que sugeriu A Torre Negra, mas me decidi na hora. Tendo lidoWatchmenPreacher e V de Vingança, achei que uma versão gráfica das histórias da Torre – ou histórias sobre o pistoleiro Roland que nunca foram contadas – poderiam virar um filme muito legal, ou uma ótima minissérie para a TV.

Além disso, sou curioso. Sempre curioso, e aberto a novas propostas de formatos para velhas obras. Os livros são imutáveis (enquanto você mantiver os censores à distância). Então não há riscos, certo? É por isso que tendo a dizer “sim” para muitas propostas de filmes, e por isso que aprovei uma versão meio excêntrica de Carrie para o circuito off-Broadway (sem falar na ópera de Dolores Claiborne que alguém está massacrando em Londres). Sei que algumas dessas adaptações vão ser terríveis, mas quem se importa? Os leitores podem voltar aos livros quando quiserem, e os livros são bons (embora alguns críticos discordem).

E mais. Você sempre tem que julgar quem está envolvido. Neste momento, há muita gente talentosa no mundo dos quadrinhos, e muitos estão na Marvel. Conversei com eles sobre isso, mas não foi necessário me persuadir; eu conheço o mercado, afinal. Leio gibis da Marvel desde que Stan Lee começou a se barbear. Ok, nem tanto... Mas estou por aqui desde que Jack Kirby desenhava o Quarteto Fantástico, e consigo lembrar quando o Aranha superou o sumido-mas-não-esquecido Homem-Borracha (e o imortal Woozy Winks) no meu afeto e consideração.

Outros livros que eu consideraria (para futuras adaptações aos quadrinhos)? A Incendiária seria uma escolha natural, mas não sei com quem estão os direitos. Projetos originais? Sem dúvida. Eu gostaria de fazer uma história radical de zumbis-tomaram-o-mundo contada do ponto de vista de várias garotas que começam patricinhas e tornam-se sobreviventes duronas com sede de sangue. Eu queria contar uma história de viagem no tempo, sobre um cara que encontra uma lanchonete que o leva a 1958... e ele sempre volta ao mesmo dia. Então um dia ele vai ao passado e fica por lá. Deixa sua vida de 2007 para trás. Seu objetivo: chegar a 22 de novembro de 1963 e deter Lee Harvey Oswald. Ele consegue, e está convencido de que CONSERTOU O MUNDO. Mas quando volta a 2007, o mundo vive o inverno nuclear. Nada bom brincar com o Tempo. Então ele tem que voltar para impedir a si mesmo... Só que ele foi infectado pela radiação, então vira uma corrida contra o tempo.

Ou que tal um subúrbio onde todas as mulheres são bruxas e a batalha do bem contra o mal está correndo abaixo da superfície dos jogos de futebol, churrascos e jogos de pôquer (os caras na sala de baixo, jogando; as garotas no quintal, invocando Nyarlahotep, o Violinista Cego do Espaço Sideral).

São tantas idéias que nem sei por onde começar. Quando a Morte chegar, provavelmente direi “Espere! Espere! Tenho que lhe contar aquela do...”. E por aí vai. Blá-blá-blá.

Eu escreveria um destes gibis? Mas é claro. Gosto do processo, que tive uma chance de conferir de perto durante a criação dos livros da Torre Negra. É parecido com roteiro para cinema, o suficiente para me deixar tranqüilo. Mas tenho muitos livros para escrever, acho, embora a qualidade da HQ seja gratificante. Poucas vezes gostei tanto de um projeto ainda em fase de criação. Jae Lee é fantástico e a qualidade da escrita – um esforço de equipe (e que equipe!) – é alta. Acho que os fãs vão ficar surpresos.

E se eu pudesse escrever uma HQ Marvel, com qualquer personagem? Homem-Aranha, óbvio. Peter Parker, o super-herói sofredor original. Não tenho certeza do que faria com ele... vejo um colapso nervoso... comportamento obsessivo, que não dá para tratar com remédios (e estraga os poderes, é claro) e a reabilitação numa ilha tropical... aí o terremoto, óbvio... ou um vulcão... a crença obsessiva de que se ele não tocar a porta exatamente 23 vezes antes de sair do apartamento, o mundo vai acabar... Ah, e uma sensação de que o uniforme está ficando mais apertado... está difícil respirar...

Coisas assim. E muito mais. Mas tenho que ir antes que isso fique sério. Longos dias e belas noites. Fique bem.

Stephen King

 

LÍNGUA SUPERIOR

Aprenda alguns termos usados pelos personagens. Afinal, um pistoleiro que se preze deve saber a Língua superior.

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