Resenha: “A Torre Negra – Traição″

Longos dias e belas noites, sais!

É lançado o terceiro arco das aventuras de Roland, ainda jovem, e seu ka-tet e como não poderia deixar de ser vamos analisá-la. Cuidado, contém alguns spoilers.

O enredo começa pouco depois dos eventos narrados no arco anterior (O Longo Caminho Para Casa). Roland, apesar de ter sido resgatado da morte pelas mãos do Rei Rubro por Shemmie, ainda continua sob as influências das emanações pérfidas da Toranja, que resolveu não entregar ao seu pai como deveria.

Enquanto uma grande comemoração é preparada para celebrar a nomeação de Cuthbert Allgood e Alain Johns como pistoleiros, pois segundo o conselho de Gilead merecem tal recompensa devido ao êxito na missão em Hambry. Obviamente nem todos os aprendizes de pistoleiros estão felizes com a nomeação de Allgood e Johns como pistoleiros sem passarem pela lutra contra Cort. Mesmo eufóricos pela alegria de receberem o título que qualquer garoto de Gilead sonha, a apreensão paira sobre suas cabeças e temem as consequências malignas da atração de Roland pela Toranja de Maerlyn. Dessa vez Roland não está completamente prisioneiro dos encantos da esfera, mas movido pelo seu desejo pela Torre Negra advindo das visões que teve em Hambry. A vontade de Roland se divide entre fazer o que é certo, entregar a Toranja ao pai, e sua obsessão.

Paralelamente ao dilema de Cuthbert, Alain e Roland, seus pais e mais alguns outros pistoleiros continuam à procura de informações que levem à John Farson, porém durante o caminho acabam encontrando um pequeno grupo de soldados do Homem Bom e um evento inesperado ocorre e por muito pouco o Dinh de Gilead não vai para a clareira no fim do caminho.

Nesse arco somos mais bem apresentados a mais dois personagens que integrarão o Ka-tet de Roland em tempos vindouros: Jamie DeCurry e Thomas Whitman. Também conhecemos uma nova figura que se chama Aileen Ritter, sobrinha de Cort. Uma menina de gênio forte e destemido que na sociedade predominantemente machista de Gilead nutre sonhos de ser como os aprendizes de pistoleiro e quiçá um dia galgar o patamar de pistoleira, contudo tal honra só é devida aos homens e por isso tenta à qualquer custo provar sua capacidade para a batalha e recusa se submeter à uma vida de submissão masculina. Sua obstinação não se prova vazia, pois demonstra eximia habilidade com armas e uma relação mais madura que a maioria dos aprendizes com o armamento. Mesmo assim ela é desprezada pelos garotos e isso alimenta uma forte raiva em seu coração. Destaco aqui o trecho na HQ número dois em que Aileen recita uma corruptela da Litania dos Pistoleiros. Uma cena impactante.

Na terceira parte do arco reencontramos Gabrielle Deschain, isolada em um convento em Debaria onde almeja expiar seus pecados e repentinamente uma visita chega para ela, um visitante que rapidamente abre suas asas para abarcá-la mais uma vez.

Aileen se defronta com seu tio, Cort, furioso pelo seu ato de retirar armas do arsenal de treinamento e em uma discussão acaba por fim mostrar que além de suas cicatrizes e montanhas de músculos há um homem que assim como todos os mortais possui o pior ponto fraco que um guerreiro pode ter: O coração. Logo, apesar da situação, decidi aguardar o retorno do Dinh de Gilead para tomar as devidas medidas.

Enquanto isso o tempo corre contra o grupo que retorna para Gilead a fim de oferecer os tratamentos adequados para Charles Champgnion, o pistoleiro que salvou a vida de Steven.

Ponderando acerca do atual contexto de Roland, Cuthbert e Alain decidem que devem tomar a Toranja e entregá-la à Steven para enfim findar com o tormento e a gradual degradação mental e física do amigo deles. Roland tem um presságio negro por meio de sua contemplação da esfera, mas afinal devemos confiar em tais visões? Afinal elas são frutos de uma forja escura como o Todash.

O amante de Gabrielle, Marten Broadcloack, revela possuir anseios muito mais soturnos do que simplesmente possuir a sua amada e com isso todo o futuro da guerra movida pelos pistoleiros contra o Homem Bom pode encontrar seu fim breve e não será pela vitória dos representantes do branco.

A investida para salvar Roland das mazelas em que está mergulhado se mostra mais perigosa do que imaginavam Cuthbert e Alain. Em meio à tensão que torna a atmosfera de Gilead pesada Roland consegue finalmente sair de seu torpor e se dirigir ao pai com a Toranja que não obtém sucesso na tentativa de dominar o senhor que descende diretamente de Arthur Eld.

Uma ponta solta nos planos de Steven Deschain acaba dando início a eventos futuros que serão catastróficos. Mesmo tendo saído de seu torpor Roland ainda se mantém indiferente quanto aos ânimos alegres devido ao banquete do dia da feira que será realizado em homenagem aos novos pistoleiros, pois sabe que o cerco do Homem Bom está cada vez mais forte e o dia de deixarem completamente de serem crianças e de horas de sono tranquilo está muito perto de findar. Roland já começa a assumir nesse arco o caráter calejado pela vida e com pouco humor que marcará sua vida depois que Gilead não for mais que uma lembrança em sua mente e coração que outrora teve um grande e único verdadeiro amor. Um amor tão pungente que por ter sido ceifado tão prematuramente deixou para sempre um sabor amargo em sua boca e uma ferida incurável em seu espírito.

Enquanto o alegre banquete acontece um acontecimento funesto ocorre, obra do Homem Bom, e pronunciando o seu discurso sobre o êxito da missão de Roland, Cuthbert e Alain não consegue perceber que serpentes em trajes humanos o espreitam.

O trabalho Jae Lee continua primoroso nas ilustrações e seu trabalho em conjunto com Richard Isanove está em perfeita sintonia, a beleza dos arcos anteriores permanece. O roteiro de Peter David constrói uma trama mais densa que “O Longo Caminho Para Casa”, pois se detém mais no amadurecimento dos personagens, como o mundo está seguindo cada vez mais adiante sob o jugo que se amplia do Homem Bom e a movimentação das peças nessa guerra. Conhecemos nesse arco verdadeiramente o pistoleiro que futuramente perseguirá sua Torre Negra com tamanho afinco, mesmo que para isso seja necessário matar todo um vilarejo ou abrir mão de salvar uma vida inocente. Roland definitivamente está deixando de ser o jovem inocente que foi um dia para se tornar um homem de mãos calejadas e tez queimada pelo sol e com algumas rugas, sejam de preocupação ou velhice.

Edilton Nunes

Edilton Nunes

Graduado em Letras pela UEG (Universidade Estadual de Goiás), viciado em literatura de terror/suspense, amante incondicional de séries e Hq´s e fã de carteirinha do mestre Steve há pelo menos 20 anos.

More Posts - Website - Twitter

You can skip to the end and leave a response. Pinging is currently not allowed.

2 Responses to “Resenha: “A Torre Negra – Traição″”

  1. Tenho muita curiosidade sobre os livros, muita mesmo. Se eu tivesse $ comprava tudo. E as HQs tb parecem ser igualmente interessantes! Beijos.

  2. Sim, os livros são excelentes e as HQs se aprofundam ainda mais na história. Quando comprei os meus livros da “Torre Negra” trabalhava em uma Lan House e meu salário todinho ia para eles xD

Deixe seu comentário