Adaptação da semana: Conta Comigo (1986)

Título original: Stand by me

Gênero: Drama

Duração: 89 min

Ano de lançamento: 1986

Direção: Rob Reiner

Roteiro: Raynold Gideon, Bruce A. Evans

Orçamento: 8 milhões de dólares

Elenco: Wil Wheaton, River Phoenix, Corey Feldman, Jerry O’Connell, Kiefer Sutherland.

 

 

Trailer

A história contada por Gordie Lachance começa no verão de 1959 na pequena cidade do Oregon, Castle Rock. Ele está reunido com seus amigos: Chris Chambers, considerado o líder do grupo, um garoto que vem de uma família ruim e todos na cidade já o consideram um mau elemento e Teddy Duchamp, considerado o “louco” do grupo, que tem problemas com o pai que bebe com freqüência e certa vez levou a orelha do garoto ao fogão quase a torrando, chega então o quarto integrante do grupo, Vern Tessio, com uma proposta que nenhum garoto de 12 anos recusaria: ver um corpo.

Eles partem, depois de inventar uma desculpa para enganar os pais, a uma distância de dezoito quilômetros, para encontrar o corpo do garoto.

Conta Comigo é baseado no conto de King: O Corpo, constante no livro Quatro Estações. O Quatro Estações é composto de contos que não são propriamente de terror. Pelo que me lembro quando li na introdução, King estava sendo tachado de “escritor de terror” e não gostava da idéia, então escreveu esses contos provando que seu talento vai além do horror.

Com o decorrer da pequena viagem feita pelo grupo de quatro garotos vamos conhecendo mais e mais de cada um, suas vidas, relacionamento com os pais, medos e sonhos.

Sabemos que Gordie perdeu um irmão, Denny e que seus pais ainda não se recuperaram do luto, fazendo com que Gordie seja simplesmente um fantasma dentro de casa. Ele é completamente ignorado e sente que seus pais preferiam que ele tivesse morrido no lugar de Denny, que era um adolescente simpático, jogava futebol americano, a atração das garotas, enquanto Gordie é só um garoto comum, que anda com amigos que são dados como más companhias e que gosta de escrever.

Ele sente uma falta enorme do irmão mais velho que era o único que realmente “o via”.

A história de Gordie é bem emocionante. A forma como os pais simplesmente o deixam de lado, como ele se sente em relação a isso me lembra muito de Bill Gaguinho de A Coisa, que também perdeu um irmão e se vê no meio do clima pesado criado pelos pais.

Chris é dado como o pequeno marginal da cidade e embora sabendo que provavelmente ele realmente vai seguir esse caminho, odeia ser tratado dessa forma. Queria ir para um lugar onde ninguém o conhecesse.

Esse tipo de garoto é bem comum nos dias de hoje e nos faz pensar na forma em que agimos com relação a eles. Quando vemos um garoto do tipo, muitas das vezes, conscientes ou não, pensamos da mesma forma: que ele não tem futuro. Escondemos nossas bolsas e olhamos para eles de cara feia. Chris nos mostra o seu lado e em como podemos estar errados.

Teddy é louco, como todos dizem. Diz coisas loucas e faz também. Ele tem um grande orgulho e amor ao pai, embora o mesmo o maltrate. E Vern é o garoto mais comum em meio ao grupo, meio bobão, acima do peso. O filme não dá muitos detalhes de sua família e sinceramente não me lembro muito bem dele no conto.

A história nos fala sobre amizade. Em como tal sentimento pode ser uma coisa forte e confusa e em como ele é ainda mais forte quando somos crianças. Uma frase bem famosa do filme é: “Nunca tive nenhum amigo depois, como quando tivera quando tinha 12 anos. Jesus, alguém teve?”

A amizade quando somos criança é uma forma muito mais intensa e Stephen King sabe disso e nos mostra, não só em O Corpo, mas em muitas outras histórias. É a amizade onde podemos falar tudo o que pensamos, porque sabemos que o amigo não vai ligar. Onde xingamos a mãe do outro como forma de diversão. Onde podemos chorar e dizer o que sentimos, do que temos medo sem parecer um fraco.

A maioria dos amigos que temos nessa idade se afasta quando crescemos, cada um toma o seu caminho, mas a época, a amizade sempre fica guardada conosco.

Amava ver esse filme na Sessão da Tarde e não tinha a mínima idéia de que era uma adaptação de Stephen King, só fui saber quando li O Corpo pela primeira vez. Desde então já assisti o filme novamente umas três vezes.

Realmente vale a pena, a atuação dos garotos ficou ótima, eles realmente souberam demonstrar a personalidade de cada personagem do livro. A trilha sonora está presente profundamente no filme, com clássicos da época.

Filme emocionante, uma adaptação muito boa. Acho que a única coisa alterada foi o estado do corpo do garoto, mas isso não caberia no filme mesmo. O conto tem mais detalhes e vale a pena lê-lo, mesmo após assistir ao filme.

Espero que tenham gostado dessa clássica adaptação assim como eu.

Edilton Nunes

Edilton Nunes

Graduado em Letras pela UEG (Universidade Estadual de Goiás), viciado em literatura de terror/suspense, amante incondicional de séries e Hq´s e fã de carteirinha do mestre Steve há pelo menos 20 anos.

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7 Responses to “Adaptação da semana: Conta Comigo (1986)”

  1. Barbara Turibio disse:

    Eu adoro esse filme. Também o assistia sempre na sessão da tarde e não sabia que era do SK…. só depois que li o livro Quatro Estações. A cena que ficou ótima e bem fiel ao livro, foi o da história que o Gordie conta a história do concurso de tortas.

  2. Priscilla Rúbia disse:

    Ficou mto boa mesmo. Qdo eu lia o livro, fui me dar conta de que era “aquele filme que via na Sessão da Tarde” qdo chegou na parte do trem. Sempre achei legal aquela cena xD

  3. […] a Adaptação da Semana que é Conta Comigo e que você pode conferir aqui, veremos onde andam os atores que em 1986 deram vidas aos personagens criados por Stephen […]

  4. Aline disse:

    A primeira vez que vi esse filme era criança e foi a nunca tinha visto um apessoa morta como mostra no filme ainda mais uma criança. Esse filme é lindo. E às vezes penso que seria maravilhoso voltar a época e a nossa que o filme mostra crianças livres e não com essa tecnologia que deixa elas chatas e sem graça.

  5. Edilton Nunes Edilton Nunes disse:

    Concordo Aline. O problema dos efeitos especiais é que antigamente, como não tinham essa vantagem, eles se esforçavam mais no roteiro, direção, fotografia e etc. Hoje em dia focam demais nos efeitos especiais e esquecem isso, infelizmente.

  6. jony disse:

    não sei o porque disso, mas sinto vontade de chorar quando o filme ta terminando. todas as vezes que assisto isso acontece. é muito tudo no filme. as musicas, as atuações. não sei de quem ouvi isso, ou de quem li, mas as vezes sinto falta de um tempo que não vivi. essa nostalgia que o filme traz a todo o momento e ver os atores como estão agora é muito legal. Relembrei desse filme ouvindo um podcast do projeto X e mais recentemente eu estava assistindo a serie the big bang theory e o personagem sheldon menciona filme em um episodio que o ator wil wheaton participa. ai fui relembrar assistindo de novo.

  7. Edilton Nunes Edilton Nunes disse:

    Normal Jony. Também fico “triste” quando vejo esse filme. Acho que é a sensação de Nostalgia que ele passa, de um tempo que não volta mais, onde não tínhamos muitas preocupações =/

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