Entrevista com J.P. Doná, diretor do Dollar Baby brasileiro “Willa”

Recentemente tivemos acesso a lista oficial atualizada de adaptações de Stephen King, que inclui um Dollar Babie produzido no Brasil (o primeiro oficial até o momento). O filme será baseado no conto “Willa”, presente no livro “Ao cair da Noite” e está sendo rodado no município de São Roque/SP pelo diretor J.P. Doná. Tive a oportunidade de conversar com ele pelo facebook e ele me falou um pouco mais sobre o projeto. Ainda não há previsão para o lançamento, mas assim que tiver mais novidades sobre a produção atualizarei esse post… Por enquanto, segue abaixo uma entrevista que o diretor concedeu para a jornalista Laís Mezzari, de Joinville, onde ele falou um pouco mais sobre o processo de produção do filme e sobre porque decidiu adaptar Stephen King.

Entre tantas obras de Stephen King, por que você escolheu o conto Willa?

Assim que peguei o livro para ler e achar uma historia para fazer o filme, soube que a Willa, era a historia certa para ser a primeira adaptação a ser feita. A historia é incrível, tem suspense, romance, drama, música e na hora se tornou uma das minhas historias preferidas de S.K, junto de o Cemitério, Torre Negra e outras.

Normalmente em produções cinematográficas baseadas em livros ou contos, não é possível se manter totalmente fiel ao enredo, devido às condições de filmagem, tempo ou ainda falta de dinâmica para o audiovisual. Houve alterações significativas na sua produção? Como você lidou com essa questão no processo de roteirização e filmagem?

Nós tentamos ser o mais fiel ao conto possível, até mesmo nos figurinos. A única diferença no figurino talvez seja no vestido da personagem Willa que no conto veste um vestido florido de gola alta e na nossa adaptação ela usa um vestido florido também, porém, não conseguimos arrumar um de gola. Uma mudança que talvez quem tenha lido o conto se depare é que mudamos um pouco dois personagens importantes, que são Phil Palmer e Henry Lander. Alguns diálogos que eram do Phil com o protagonista, mudamos e deixamos para Henry, e o Henry no nosso filme mantém uma relação mais próxima de David, assim como pai e filho (apesar de não haver parentesco no filme). Mas isso não afetou o conteúdo da historia e ficou bem sutil, mas melhorou a dinâmica para o áudio visual entre esses personagens. E eu tive uma grande ajuda das atrizes Suzana Rizzo e Priscilla Doná para desenvolver a personalidade de cada um mais a fundo, assim também dando um espaço considerável para todos na historia. Tivemos também muitas mudanças no roteiro devido a problemas financeiros e climáticos. Como nosso tempo de contrato é curto para rodar um longa metragem e vivemos em um pais tropical não conseguimos saber como vai estar o tempo para gravar. No primeiro dia o frio atrapalhou muito, ainda mais para a atriz Heloisa Kirchhoff , que engravidou durante a pré-produção do filme, e não tínhamos tempo para substituir a atriz então para ela foi muito difícil enfrentar o frio. Para Nick Boucouvalas também foi complicado pois ela só tem 9 anos, e apesar de ser uma criança incrível, muito ativa esperta e brilhante atriz, não podemos exigir muito, temos que gravar rápido e aproveitar em quanto ela se divertia (mesmo com um frio de congelar a alma). Outra questão foi que uma estratégia que tínhamos para compensar o baixo orçamento do filme era mostrar bem as paisagens dos lugares onde filmávamos, mas devido aos horários e trabalhos opostos do pessoal do elenco as filmagens que eram para começar de manhã acabaram indo para o fim da tarde. Nós contávamos com iluminação natural, então nos deparamos com um breu total que dificultou muito e mudou a linguagem cinematográfica que eu queria usar, então tive que mudar todo meu ponto de vista e escolher outro caminho. De inicio seria algo mais estilo Oliver Stone agora estamos em alguma coisa mais próxima de Orson Wells (é claro que não estou me comparando com esse dois gênios do cinema). Nosso roteiro já passou por 5 modificações, mas acredito que achamos o formato certo para fazer funcionar.

Este é o primeiro filme baseado em um conto de Stephen King produzido no Brasil, país que ainda não é tradicional na produção cinematográfica. Quais foram as principais dificuldades enfrentadas?

Sim, esse é o primeiro filme baseado em uma obra do Stephen King feito no Brasil, vários diretores pelo mundo todo já fizeram alguma adaptação e temos a grande honra de sermos “OS PRIMEIROS” a fazer isso no nosso pais. Sobre as dificuldades… tivemos muitas. Além da que mencionei a cima, ainda temos alguma rejeição com filme, parece que aqui no Brasil o pessoal não quer ver ou premiar obras como essa, sempre dizem para eu fazer filme sobre favela ou coisas assim, porem estamos tendo uma ótima aceitação de público no Brasil e um grande espaço em outros países. Tivemos bastante problema com elenco, com pessoas que se comprometeram a obra e deram para trás na hora de começar a trabalhar, por isso sou muito grato a todos os atores que estão com a gente, devo muito de isso estar se concretizando graças a cada um deles, assim como lugares que se comprometeram a ceder espaço para as filmagens e deixram toda equipe e elenco esperando na porta – quem salvou a gente foi o Ivan, um rocker organizador de um festival de rock a billy incrível chamado Pin up’s party, que ocorre na Casa Dos Artistas (procurem pela net sobre o evento é incrível vale muito a pena ir se divertir lá).

Um dos atores da produção é um sósia do Chuck Norris. Como surgiu a ideia de chamá-lo para o elenco?

O Chuck Norbas foi um grande achado. O filme é um suspense com pouco ritmo, tínhamos medo de que o filme ficasse muito parado e chato. Eu sabia que a chave para um bom ritmo esta na cena em que David (o protagonista da historia) entra em um bar atrás da desaparecida Willa, nessa hora eu tive a desculpa para colocar briga, música, humor e diálogos rápidos e até efeitos visuais, essa sequencia é o ponto certo entre dramatização e ritmo no filme. No livro eles estão em um bar onde constantemente saem brigas, e tem a pior espécie de pessoas reunidas em um ambiente com álcool, musica alta, fumaça de cigarro… resumindo, um ótimo lugar para ser ir num sábado a noite. Mas quando terminamos toda essa sequencia ainda faltava algo, algo que mostraria que o lugar rolava brigas uma atrás da outra sem precisar explicar isso, a gente só precisava de uma pessoa que fosse popular o bastante para qualquer um ver e entender que ali naquele lugar você encontra de tudo. Foi ai que eu fui em um campeonato de boxe e vi um cara com roupas táticas, barba, forte, de óculos escuros, roubando toda a atenção para ele (risos). Foi ai que pensei, quem pode ser um personagem melhor para colocar um leve toque de ação e humor e ainda assim mostrar que o lugar onde David está tem de tudo, do que o Chuck Norris? Aí então peguei contato com ele, descobri que ele trabalhava de sósia do Norris há pouco tempo e fomos nos falando. A participação dele ficou fantástica. O então conhecido como Chuck Norbas do Brasil é um ator completo que ainda vamos ouvir falar muito dele, e se tornou um amigo por quem tenho grande admiração e respeito. Não só pelo seu trabalho, mas também pela humildade e simplicidade dele como pessoa. Também devo muitos agradecimentos a ele, que foi uma peça muito importante para eu estar realizando esse sonho de fazer minha primeira obra cinematográfica.

Quais são os diferenciais do seu filme? Por que as pessoas, em especial os fãs de Stephen King, vão gostar de assisti-lo?

Primeiro por que o nosso é o primeiro filme do King a ser rodado no Brasil, o primeiro a ser rodado em preto e branco, por estar sendo feito por fãs do King, porque essa historia é diferente de todas que vocês já viram adaptadas para tv ou cinema, para provar que somos capazes de mesmo sem dinheiro fazer e acontecer, mas principalmente por que estamos trabalhando com muito respeito e carinho pelo conto Willa e por toda obra de contos que esta no livro “no cair da noite” e tenho certeza de que quem conhece a historia vai amar o filme. E quem ainda não conhece vai se surpreender com essa obra de arte escrita pelo Stephen King e adaptada… por mim. E quem quiser saber mais ou ver como está indo o filme é só procurar a pagina da “Willa” no facebook ou youtube ou procurar pelo meu perfil que é J P Doná.

Fotos dos bastidores das gravações de “Willa”

Outras fotos e informações sobre a produção do filme podem ser encontrados no perfil do diretor J.P. Doná no facebook: http://www.facebook.com/dona.necro e no perfil oficial do filme: http://www.facebook.com/jpdonafilmes?bookmark_t=page

Edilton Nunes

Edilton Nunes

Graduado em Letras pela UEG (Universidade Estadual de Goiás), viciado em literatura de terror/suspense, amante incondicional de séries e Hq´s e fã de carteirinha do mestre Steve há pelo menos 20 anos.

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One Response to “Entrevista com J.P. Doná, diretor do Dollar Baby brasileiro “Willa””

  1. Leon Nunes disse:

    Simplesmente fantástico.
    Isso era apenas sonho. Rodar um filme cá no Brasil baseado em King.
    De repente, com filmes como este, o Brasil poderá entrar no ‘circuito’ e filmografar histórias de Escritores brasileiros também – espero que não seja sonhar muito alto.

    Parabéns por nos trazer esta informação.
    Continue assim!

    Abraços
    Leon Nunes

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