Entrevista sobre 11/22/63

Stephen King vem fazendo uma enorme propaganda sobre seu novo livro 11.22.63, a ser lançado em uma semana. Foi publicada hoje uma pequena entrevista com o autor sobre seu mais novo romance, que conta a história de uma viajante no tempo, tentando prevenir o assassinato de John F. Kennedy. A história tem uma grande característica de ficção científica, mas pode ser muito bem descrita como uma romance histórico. Embora as descrições dos EUA nos anos de 1950 e 60 foram baseadas nas pesquisas que King realizou, uma parte dos detalhes foram baseados em suas próprias lembranças.

Onde você estava quando JKF foi assassinado?

Quando eu recebi a notícia, eu estava num carro funerário. Eu era um estudante em uma cidade pequena e não havia um ônibus para nos levar até a escola. Então nossos pais se juntaram e pagaram um cara que tinha um carro funerário convertido, o qual ele transformara numa espécie de ônibus escolar, e nós íamos para todo lado com ele.

Nós não recebemos a notícia de que Kennedy fora assassinado na escola. Mas quando entramos no carro para voltar para casa, o motorista, Mike, estava com o rádio ligado, pela primeira vez que eu me lembre. Nós ouvimos que Kennedy fora morto. Mike, quem era meu silencioso, falou: “Eles vão pegar o filho da puta que fez isso e alguém vai matá-lo.” E isso foi exatamente o que aconteceu.

Quando e porquê você decidiu escrever um livro sobre o assassinato de Kennedy?

Eu tentei escrever essa novela em 1973, quando eu era professor no colegial. Naquela época era chamada de Split Track e eu escrevi catorze páginas com espaçamento único. Então eu parei. A pesquisa era intimidante para alguém que trabalhava o dia todo em outro emprego. E eu também entendi que não estava pronto – o alcance era grande demais para mim, naquele tempo. Eu deixei o livro de lado e pensei que, algum dia, eu voltaria para ele.

Eu estou feliz de não tê-lo continuado no passado. Em 1973, a ferida ainda estava muito recente. Era é quase meio século desde Kennedy foi assassinado. Eu acho que é tempo o suficiente.

Eu recentemente assisti ao filme de Robert Redford chamado The Conspirator sobre o assassinato de Lincoln. Isso foi a cento e cinquenta anos atrás, mas ainda é um choque ver o presidente dos EUA ser assassinado por um homem sozinho.

Como uma personagem moderna voltando no tempo afeta o modo que você descreveu os anos de 1950, em oposição com colocando a novela para se passar nessa época?

Jake Epping, minha personagem principal, faz diversas viagens diferentes no passado – cada viagem o deixa dois minutos antes do meio dia, no dia 19 de Setembro de 1958, e cada viagem é um reinício completo. Aos poucos ele se acostuma com isso, mas o contraste entre sua sensibilidade do século vinte e um e a do mundo no final dos anos cinquenta e início dos anos sessenta é gritante, de um modo que Mad Men não é. E às vezes é bastante engraçada,  assim como Jake canta uma música indecente dos Rolling Stones e tenta convencer a sua namorada de que ele ouvira a música, que continha a letra “ela tentou me levar para cima, para uma cavalgada”, no rádio.

Nós estamos bem familiarizados com o presente, o mundo em que vivemos agora – um mundo onde o galão de gasolina custa quatro dólares, onde homem e mulher tem uma certa igualdade, onde existe um presidente afro americano, onde temos computadores. Quando você volta pela primeira vez em 1958, essa viagem é desagradável. Mesmo assim, quanto mais tempo o Jake fica, mais ele se sente em casa, nesse mundo particular. Eventualmente, ele não quer mais ir embora. Ele gosta de sua vida numa época em que não precisamos tirar os sapatos no aeroporto.

O ato de escrever é quase um ato de hipnose. Você consegue se lembrar de coisas que não estão imediatamente acessíveis no consciente. Eu me senti extremamente desafiado quando comecei o livro. Eu conseguiria realmente capturar o sentimento de como eram as coisas entre 1958 e 1963? Mas escrever, assim como qualquer coisa imaginativa, é um ato de fé. Você tem que acreditar que esses detalhes estarão lá, quando você precisar deles.

Quanto mais eu escrevo sobre esses anos, mais eu me lembro. Eu usei da pesquisa quando me senti inseguro, mas foi incrível como eu me lembrei de tanta coisa – o som que as moedas faziam quando você as colocavas na máquina, quando você entrava no ônibus; o cheiro dos cinemas quando todos fumavam; as danças; as gírias; os livros que eram atuais, e a importância da biblioteca para uma pesquisa. Tem uma sequência muito interessante onde Jake precisa encontra alguém e está muito frustrado; se ele tivesse um computador, ele simplesmente teria que usar uma site de buscas e teria o que ele precisava em dois ou três minutos. Não havia pontes de embarque naquela época; você saia do terminal e subia os degraus até o avião da TWA. Hoje, a TWA não existe mais, mas essa foi a empresa aérea que trouxe o Lee Harvey Oswald de volta para o Texas.

Ao pesquisar sobre as músicas antigas, você ouve essas músicas enquanto escreve?

Eu sempre fui fã de música pop. Eu tenho uma boa ideia sobre a música entre 1955 e agora – é um dos lugares em que minha cabeça se sente confortável. É também um dos indicadores de como a vida americana muda e o que está acontecendo em um determinado momento.

Um dos epigramas para 11.22.63 é “dançar é viver,” e dançar é algo que sempre me interessou. É simbólico de maneiras tão diferentes no ritual de corte. As mudanças na dança espelham as mudanças no jeito que fazemos a corte e amamos e vivemos durante os anos. Eu fui até o Youtube assistir vídeos de danças dos anos 50 e 60, e isso foi algo interessante, ver as pessoas fazerem o Stroll e o Madison, o Lindy Hop, Hell’s a Poppin’ – coisas fantásticas. Eu sou louco por música e sou louco por dança e um pouco disso está no livro.

Eu ouço música o tempo todo. Não quando eu estou compondo algo novo, mas quando estou reescrevendo e editando, eu sempre tenho a música ligada e sempre bem alta. Eu tenho algumas músicas que sempre ouço – elas deixam minha esposa, meus filhos e meus netos loucos. Eu sou o tipo de cara que tocará “I Will Always Love You” de Whitney Houston 25 vezes até descobrir que a música foi escrita por Dolly Parton, então ouço a versão de Dolly parton mais 40 vezes.

A música que causou a maior impressão em mim foi o rock’n’roll do início dos naos 50. Eu tentei colocar no livro a excitação que as crianças tinham ao ouvir algo como Jerry Louis, Chuck Berry, ou Little Richard. A primeira vez que você ouve Little Richard, sua vida mudará. A primeira vez que eu ouvir Freddie Cannon cantar PalisadesPark, eu pensei, “isso me faz ficar tão feliz por estar vivo.”

Essa entrevista foi publicada pela livraria Tesco. O novo romance de Stephen King, 11.22.63 será publicado dia 8 de novembro.

Luis

Fã de King desde 2002, leitor compulsivo e colecionador.

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One Response to “Entrevista sobre 11/22/63”

  1. @cyberlivingdead disse:

    Ah, viagem no tempo nas mãos de Stephen King me faz imaginar que grandes surpresas estão contidas nesse livro! Fora que vai ser muito interessante ver um retrato dos anos 60 à partir da ótica do King.

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