Livro da Semana: “Sobre a Escrita: A Arte em Memórias”

Título Original: On Writing: A Memoir of the Craft
Título Traduzido: Sobre a Escrita: A Arte em Memórias
Ano de Publicação: 2000
Ano de Publicação no Brasil: 2015
Adaptação:
Páginas: 256
Tradução: Michel Teixeira
Disponível no Brasil pelas Editoras: Suma de Letras (2015)

Sobre o livro: Sobre a escrita — A arte em memórias é uma obra extraordinária de um dos autores mais bem-sucedidos de todos os tempos, uma verdadeira aula sobre a arte das letras. 

O livro também não deixa de lado as memórias e experiências do mestre do terror: desde a infância até o batalhado início da carreira literária, o alcoolismo, o acidente quase fatal em 1999 e como a vontade de escrever e de viver ajudou em sua recuperação.

Com uma visão prática e interessante da profissão de escritor, incluindo as ferramentas básicas que todo aspirante a autor deve possuir, Stephen King baseia seus conselhos em memórias vívidas da infância e nas experiências do início da carreira: os livros e filmes que o influenciaram na juventude; seu processo criativo de transformar uma nova ideia em um novo livro; os acontecimentos que inspiraram seu primeiro sucesso: Carrie, a estranha. Pela primeira vez, eis uma autobiografia íntima, um retrato da vida familiar de King. 

E, junto a tudo isso, o autor oferece uma aula incrível sobre o ato de escrever, citando exemplos de suas próprias obras e de best-sellers da literatura para guiar seus aprendizes. Usando exemplos que vão de H. P. Lovecraft a Ernest Hemingway, de John Grisham a J. R. R. Tolkien, um dos maiores autores de todos os tempos ensina como aplicar suas ferramentas criativas para construir personagens e desenvolver tramas, bem como as melhores maneiras de entrar em contato com profissionais do mercado editorial.

Ao mesmo tempo um álbum de memórias e uma aula apaixonante, Sobre a escrita irradia energia e emoção no assunto predileto de King: literatura. A leitura perfeita para fãs, escritores e qualquer um que goste de uma história bem-contada.

“Sobre a escrita” é um diálogo sincero com os leitores 

Após anos relegado ao limbo editoral brasileiro, “Sobre a Escrita: A arte em memórias” (Suma de Letras, 2015) finalmente viu a luz do dia em terras tupiniquins, graças ao trabalho realizado pelo selo Suma de Letras, da Editora Objetiva, responsável pela publicação do material de Stephen King no Brasil. Nos EUA a primeira edição do livro foi lançada em 2000, entrando rapidamente para a lista de 100 melhores livros escritos entre 1983 e 2008 da revista Entertainment Weekly e vencendo os prêmios BRAM STOKER e LOCUS na categoria de Melhor Não Ficção. Em 2010 a Editora Scribner publicou a edição de décimo aniversário do livro (na qual a edição da Suma de Letras é baseada), que conta ainda com uma lista de livros indicada por Steve para quem quer se aventurar no fascinante universo da escrita.

“Amadores sentam e esperam por inspiração, o resto de nós apenas se levanta e vai ao trabalho.” – Stephen King

Ainda que sejam, em essência, indivisíveis (na medida em que você vai lendo os relatos do livro, você acaba percebendo que no fundo é impossível separar o autor do homem Steve, principalmente se levarmos em conta o que o Próprio Steve fala em um dos trechos do livro, que um escritor deve escrever sobre aquilo que conhece), “Sobre a Escrita” é constituído de duas partes principais. Na primeira delas, que engloba desde o primeiro prefácio até o capítulo “O que é a escrita” o que temos é basicamente uma autobiografia narrada em um tom mais intimo (na verdade, o livro todo é narrado em tom mais intimo), onde Steve fala um pouco mais sobre como foi sua infância e suas influências, ao passo em que narra alguns dos principais fatos que colaboraram para o seu desenvolvimento pessoal e profissional, como o relacionamento estável e duradouro que ele até hoje possui com sua esposa, Tabitha, a morte de sua mãe e o seu envolvimento com o álcool e as drogas.

“Acredito que muitas pessoas têm pelo menos algum talento para escrever ou contar histórias, e esse talento pode ser fortalecido e afiado. Se eu não acreditasse nisso, escrever um livro como este seria perda de tempo.” – Stephen King

A segunda parte do livro, que vai do capítulo “A caixa de ferramentas” até o final, funciona mais como um “manual Kingniano de escrita”, ainda que esta não tenha sido, provavelmente, a intenção do autor. Steve deixa bem claro que as dicas que ele dá para autores novatos (ou não) não devem ser seguidas como regras específicas e que são apenas as coisas que funcionaram e que ainda funcionam para ele. Estão incluídos ali elementos como o uso/conhecimento necessário da gramática, o estabelecimento de uma rotina própria de trabalho (a intenção é “forçar” seu cérebro a trabalhar em busca de inspiração, ao invés de esperar que a Musa apareça de repente), a necessidade básica de ler muito e a importância que se deve dar às edições posteriores dos seus textos (escreva com a porta fechada e edite com a porta aberta).

“A descrição começa na imaginação do escritor, mas deve terminar na dos leitores.” – Stephen King

Em muitos aspectos “Sobre a Escrita” é bem semelhante a outro livro de não ficcional de Steve, “Dança Macabra”, porém, ainda que “Dança Macabra” constituía um relato vívido de muitas de suas experiências pessoais com o universo do horror, “Sobre a Escrita” vai um pouco mais além, ao nos apresentar um Steve mais intimista e menos preocupado em se firmar como um conhecedor do assunto. Particularmente, acho as histórias pessoais dele tão interessantes quanto seus livros de ficção, principalmente porque ele as conta (assim como faz na maioria dos prefácios dos seus romances) com empatia e respeito quase sem precedentes pelo leitor, algo explicito em grande parte de “Sobre a Escrita”. Lembro-me que certa vez o vi comentar em uma entrevista que ele não mantém contato pessoal com muitos leitores e ainda é um autor relativamente “recluso” porque prefere se envolver com os leitores através do seu trabalho e isso fica bastante evidente em “Sobre a Escrita”. A sensação (agradável) que tive foi a de que estava lendo um diário despretensioso do autor.

“A escrita não é para fazer dinheiro, ficar famoso, transar, ou fazer amigos. No fim das contas, a escrita é para enriquecer a vida daqueles que lêem seu trabalho, e também para enriquecer sua vida. A escrita é para despertar, melhorar e superar.” – Stephen King

Apesar de ser um autor popular (muitas vezes hostilizado pela crítica por este simples fato), fica claro que Steve não escreve apenas por dinheiro (apesar de ganhá-lo aos montes) e que sabe do que está falando. Sua escrita desenvolveu-se desde pequeno, com o constante apoio da mãe e o seu envolvimento de perto com o universo da leitura, e baseia-se em elementos que ele aprendeu e desenvolveu ao longo dos seus mais de cinquenta anos de carreira. Em resumo, “Sobre a Escrita” é um fascinante mergulho neste universo, no mundo muitas vezes obscuro, criativo e igualmente fascinante da mente de um dos maiores contadores de história da atualidade.

Edilton Nunes

Edilton Nunes

Graduado em Letras pela UEG (Universidade Estadual de Goiás), viciado em literatura de terror/suspense, amante incondicional de séries e Hq´s e fã de carteirinha do mestre Steve há pelo menos 20 anos.

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5 Responses to “Livro da Semana: “Sobre a Escrita: A Arte em Memórias””

  1. Camila disse:

    Embora não tenha pretensão nenhuma de escrever algo além da minha tese de doutorado, acho muito interessante conhecer o método que os autores usam para transformar uma simples ideia em uma história completa. Estou muito curiosa para conhecer o método do mestre.
    Vou encomendar meu exemplar desse livro =)

  2. Edilton Nunes Edilton Nunes disse:

    Esse livro é ótimo Camila. Você não vai se arrepender.

  3. RafaeL disse:

    Será que esse livro é melhor que “coração assombrado”? Achei a biografia do King um pouco cansativa em alguns momentos.

  4. Camila disse:

    Acabei de ler o livro e achei ótimo.
    Foi um prazer saber de detalhes da carreira e da vida do King através dele mesmo. Achei muito bonito como ele sempre fala da esposa com carinho e admiração.
    E para quem gosta de escrever e quer escrever bem, o livro é obrigatório. São dadas muitas dicas práticas.

    Interessante ele falar sobre não escrever para ganhar dinheiro e sim porque isso o faz feliz. Infelizmente tem muito livro por aí (trilogias distópicas adolescentes, por exemplo) que parecem escritas só para fazer dinheiro. Mas isso é outra história…

  5. Edilton Nunes Edilton Nunes disse:

    Também achei interessante, mas se você acompanha king por um bom tempo você vai perceber que ele realmente escreve porque gosta mesmo. Ele fazia isso antes de ganhar dinheiro e continua fazendo agora, mesmo não precisando rsrs. Outro livro muito bom é “coração assombrado”, a biografia da darkside, que fala bastante sobre essa coisa dele escrever por amor.

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