Personagem da Semana: “Pennywise”

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Há milênios atrás, quando a terra ainda era nova, durante um evento cataclísmico, semelhante à uma colisão com um asteroide, em uma parte isolada do mundo (que posteriormente seria chamada de Derry), no que hoje é conhecido como o estado do Maine, surgiu uma criatura de poderes quase ilimitados. Seu nome é Pennywise (Parcimonioso). Pennywise aguardou durante séculos (milênios) pelo aparecimento da raça humana, para que pudesse caçá-los. Desde então isso vem acontecendo em ciclos de 25 a 30 anos, período nos quais ele entra em atividade, para logo após hibernar, enquanto faz sua digestão e aguarda pelas próximas vítimas…

Sua forma mais conhecida atualmente é a de um palhaço, pois ele a usa para atrair crianças, que são suas vítimas preferidas. Segundo o próprio Pennywise, ele as prefere porque os medos das crianças são mais fáceis de serem transformados em formas físicas e consequentemente é mais fácil assustá-las (diferente dos adultos, que possuem medo de coisas mais abstratas como a solidão, o que há depois da morte, separações, decepções amorosas e etc…). “A Coisa” se alimenta dos medos das crianças a assustá-las antes de matá-las seria o equivalente a temperar um prato antes de comer. Seus ciclos de ataque são extremamente violentos, porém as pessoas logo se esquecem deles, por causa da influência psíquica que a criatura causa nos moradores de Derry.

Pennywise é o inimigo natural de Maturin (A tartaruga), uma entidade superior que na concepção dos multiversos criada por Stephen King funciona como a criadora do universo em que vivemos. Tanto a tartaruga quanto a Coisa, entretanto, foram criados por outra entidade maior, conhecida como “O Outro” (e que muito provavelmente trata-se de “Gan”, um dos conceitos mais parecidos com um Deus maior na história da “Torre Negra”, saga de oito livros que possui diversas ligações com os outros romances de Stephen King). Ambos são inimigos eternos, já que enquanto a tartaruga representa a criação, A Coisa representa a destruição.

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“Você quer um balão Georgie?”

A Coisa aparentemente se originou em um vazio existencial que envolve o universo, um lugar conhecido como “Macroverso” (um conceito bem semelhante ao estabelecido mais tarde como “As Trevas Todash” em “A Torre Negra”). Seu nome real é desconhecido, embora em vários pontos do romance ele próprio afirme que seu verdadeiro nome é Robert Gray.

Apesar dos garotos do clube dos perdedores se referirem a ele várias vezes pelo sexo masculino, devido à sua manifestação do que acreditam ser sua real forma (uma aranha), tudo indica “A Coisa” seja realmente do sexo feminino. Entretanto, apesar de ser considerada como sua “forma final”, a imagem de uma aranha é apenas o mais próximo que a mente humana pode chegar de sua forma, que nunca será realmente compreendida. Sua forma final existe em um reino além do físico, chamado “Deadlights”. Em um certo trecho do livro, Bill Denbrough se aproxima perigosamente deste lugar, mas acaba vencendo A coisa antes que isso aconteça. Um ser humano que se deparasse com esses territórios muito provavelmente acabaria enlouquecendo. A única pessoa conhecida que sobrevivera a uma visita às “Deadlights” é a esposa de Bill, Audra Phillips..

As formas de Pennywise

Suas principais formas, além do palhaço Pennywise, incluem: O Lobisomem (é assim que ele aparece para Richie Tozier e Bill Denbrough, depois para todos os Perdedores), O Monstro da Lagoa Negra (ele aparece nessa forma para Eddie Corcoran, ao matá-lo), A Múmia (para Ben Hanscom), Um tubarão (o mesmo do filme de 1975), O monstro de Frankestein (para Henry Bowers, Victor Criss e Arroto Huggins), A Lua (para Henry Bowers, instigando-o a matar), um passáro gigante, Um leproso, Alvin Marsh (o pai de Beverly, do qual ela tinha muito medo),  um enxame de sangue-sugas, Tony Rastreador (gerente de um depósito de caminhões em Derry durante a infância dos perdedores. Eddie Kaspbrak vê É nesta forma quando ele visita um campo de beisebol velho perto do depósito, em 1985), O cadáver em decomposição de Patrick Hockstetter, e A Aranha (Sua verdadeira forma física na Terra). Todas essas formas, com exceção da Aranha, são manifestações físicas dos medos que as crianças de Derry possuíam e que A Coisa utilizava para deixá-las mais assustadas ainda.

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Pennywise em sua forma de aranha, na adaptação de 1990 para a tv.

Apesar de se ver como um ser superior (afirmando até que seu cérebro abrange um continente inteiro), A Coisa apresenta vários pontos fracos, que o Clube dos Perdedores acaba, por fim, explorando muito bem. Seu ego é, inclusive, um dos principais deles. Em vários pontos, por se achar superior às suas vítimas, ele acaba deixando-as escaparem. A coisa é ainda uma entidade que é psiquicamente sensível. Desse modo quem for corajoso e bravo é capaz de vencê-lo, mesmo quando ele aparece em suas formas mais diabólicas (justamente para incutir o medo no coração de suas vítimas e minimizar este “poder” ao qual ela é bastante susceptível).

Entre suas principais habilidades estão a capacidade de mudança de forma, como dito anteriormente, invisibilidade parcial, a capacidade de criar ilusões (balões flutuando contra o vento, fotografias em movimento, dentes e globos oculares escondidos em biscoitos da sorte, além de ilusões que trabalham com outros sentidos, audição, tato, olfato e paladar), sendo que a capacidade de tornar-se invisível aplica-se, na maioria das vezes, à todas essas outras capacidades, já que apenas às vítimas que A Coisa escolhe é que podem presenciar estes fenômenos. A coisa possui ainda a capacidade de se regenerar rapidamente, o poder de ler a mente das pessoas e de se comunicar e de controlá-las telepaticamente, teletransporte, telecinese e até manipulação do tempo.

Apesar de possuir todos estes (e mais alguns) dons, A Coisa não é indestrutível. Ela precisa se submeter às leis das formas que ela ocupa. Suas formas físicas podem, inclusive, sangrar, serem danificadas ou destruídas. Durante seu período de hibernação (algo entre 26/27 anos) ela torna-se especialmente vulnerável neste aspecto, em especial à “ataques surpresas”..

Os ciclos da Coisa

Ao que parece, é necessário que haja uma grande tragédia para que A Coisa desperte (ou seu despertar é que causa grandes tragédias). Apesar de, nos anos iniciais em que foram feitos os registros do seu despertar, não tivermos noticias de grandes eventos do tipo, eles provavelmente aconteceram, prenunciando a vinda de algo mais aterrorizante ainda, o despertar de Pennywise:

  • 1715 – 1716: A Coisa desperta
  • 1740 – 1743: A Coisa desperta e cria um reinado de terror de três anos que termina com centenas de pessoas desaparecidas na cidade de Derry.
  • 1769 – 1770: A Coisa desperta
  • 1851: A Coisa desperta quando um homem envenena sua família e depois comete suicídio comendo um cogumelo altamente venenoso, causando uma morte horrível.
  • 1876 – 1879: A Coisa desperta e volta a hibernar após um grupo de lenhadores ser encontrado morto.
  • 1929 – 1930: A Coisa desperta quando um grupo racista semelhante ao Ku Klux Klan queima um bar noturno afro-americano. Um dos sobreviventes é Dick Halloran, o cozinheiro iluminado do livro “O Iluminado”
  • 1957 – 1958: A Coisa desperta durante uma grande tempestade. São os eventos que dão início a história do livro.
  • 1984 – 1985: A Coisa desperta novamente quando um grupo de homofóbicos assassina um casal gay, jogando um dos homens de uma ponte, eventos que realmente aconteceram no Maine. É a segunda parte do livro, que finaliza a história da “A Coisa”.

Menções em outras histórias

Os Estranhos: Em certo ponto da história, duas crianças veem o palhaço Parcimonioso, do livro A Coisa, enquanto estão em Derry atrás de baterias. Em adição, Ev Hillman diz que ouviu vozes e risadas vindo de um bueiro em Derry.

O Apanhador de Sonhos: O vilão da história é chamado de Sr. Gray (Robert Gray lembra alguém) e essa não é uma referência direta. O Sr. Gray pode ser apenas coincidência, porém, em um determinado trecho do livro, quando o Sr. Gray possui Jonesy ele encontra um monumento com uma placa que diz: “AOS DESAPARECIDOS NA TEMPESTADE DE 31 DE MAIO DE 1985 E ÀS CRIANÇAS, TODAS AS CRIANÇAS, A ESTIMA DE BILL, BEN, BEV, EDDIE, RICHIE, STAN E MIKE. O CLUBE DOS PERDEDORES”. Também vemos, rabiscados com tinta-spray, os dizeres “Pennywise vive”.

Insônia: Mike Hanlon menciona a enchente de 1985 e em um trecho, quando o Rei Rubro está falando, ele diz que “transfiguração é uma tradição honrada há tempos em Derry”, numa clara alusão à capacidade da Coisa se transformar.

 

“Eles flutuam, Georgie. Eles flutuam … E quando você está aqui comigo, você vai flutuar também!”
– Pennywise (IT) antes de matar Georgie Denbrough.
  

“Eu sou eterno, criança! Eu sou o devorador de mundos, e das crianças. E você é o próximo!”
– Pennywise (IT) para o Clube dos Perdedores, durante tentativa de matar Stan Uris.

 

“Beije-me menino gordo!”
– Pennywise (sob a forma de Beverly Marsh) para Ben Hanscom.

Edilton Nunes

Edilton Nunes

Graduado em Letras pela UEG (Universidade Estadual de Goiás), viciado em literatura de terror/suspense, amante incondicional de séries e Hq´s e fã de carteirinha do mestre Steve há pelo menos 20 anos.

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11 Responses to “Personagem da Semana: “Pennywise””

  1. Alexandre disse:

    Complementando as referências, em Novembro de 63 é feita referência aos eventos de 57/58 por dois adolescentes e, mais à frente do livro, ele sente uma presença maléfica em uma fábrica abandonada no final de uma rua em Derry.
    As informações não são mais precisas porque eu lembrei delas de cabeça, mas acredito que valham a referência

  2. Heron disse:

    Se não me engano no conto “as crianças do milharal” (filme colheita maldita) o casal protagonista sente uma presença maléfica perto do milharal, na cidade de Derry; e no conto fica subentendido se a entidade que guia o vilão e Pennywise.

  3. Edilton Nunes Edilton Nunes disse:

    Obrigado por informar Alexandre. Assim que puder atualizo o post. Abraço!

  4. Edilton Nunes Edilton Nunes disse:

    Não lembro dessa referência. Obrigado por pontuar Heron. Abraço!

  5. alexandre leite disse:

    lendo o livro, notei que o pai adotivo dos irmãos mortos em meados de 57/58 foi para a penitenciaria de shawshank. a mesma do livro Um sonho de liberdade. alguém sabe de dizer se no livro Um sonho de liberdade faz referência sobre esse cara, ela até comete assassinato assim que sai da prisão, após ver umas das crianças que ele “supostamente” matou.

  6. alexandre leite disse:

    É o padrasto dos irmãos Corcoran.

  7. Caíque Reis disse:

    No livro “Escuridão Total sem Estrelas”, o protagonista Streeter, no conto “Extensão Justa”, cresceu e viveu muito tempo em Derry, e durante sua conversa com o vendedor de extensões, Odabi, ele lhe diz que pra se livrar do câncer ele deve passar a doença adianta, para outra pessoa, e lhe pergunta se tem alguém que ele odeia. Ele diz que não gostava de sua vizinha, a Sra. Denbrough. Acredito que não seja coincidência, ela seja mãe de Bill Denbrough, um dos protagonistas de It – A Coisa!

  8. Caíque Reis disse:

    Edit: Eu disse no post acima que “cresceu e viveu muito tempo em Derry”, na verdade a estoria do livro se passa em derry. Perdão pelo erro.

  9. Edilton Nunes Edilton Nunes disse:

    Ótima observação Caíque. Vou colocá-la na nossa parte de conexões.

  10. Rita Sousa disse:

    Boa noite, gostaria de adquirir o livro it, mas aqui em Portugal apenas consigo em Inglês, onde posso comprar em Português/Brasileiro.
    Obrigado

  11. Edilton Nunes Edilton Nunes disse:

    Olá Rita! Já tentou pela fnac de portugal? http://www.fnac.pt/mp8621387/A-Coisa

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