Livro da Semana: Misery: Louca Obsessão

Título Original: Misery
Título no Brasil: Misery: Louca Obsessão
Ano de Publicação: 1987
Data de Publicação nos EUA: 08/06/1987
Personagens: Paul Sheldon, Annie Wilkes, Carl Wilkes, Misery, Bryce Bell, Policial Wicks, Policial McKnight,
Adaptação: Louca Obsessão (1990)
Disponível no Brasil: Editora Francisco Alves (1991), Suma de Letras (2014)

Sinopse/Crítica

Durante uma nevasca no inverno de 1987, Paul Sheldon, renomado escritor de livros de suspense, sofre um acidente de carro e tempos depois acorda em uma cabana no interior da pequena cidade de Sidewinder, no Colorado, com as pernas quebradas e sem saber como fora parar ali. Sua salvadora é Anne Wilkes, uma enfermeira autointitulada “Fã Número 1” do escritor e de sua mais famosa série de livros, “Misery” (que também é o nome da personagem principal dos seus livros). Inicialmente Annie mantém Paul preso a sua casa com a desculpa de que não pode levá-lo ao hospital devido a forte neve que caia lá fora. Ao ler o último livro da série “Misery”, entretanto, Annie fica enlouquecida quando descobre que a personagem principal e sua favorita, Misery Chastain, morre no final do romance. Ela passa então a torturar Paul física e psicologicamente para que ele escreva a continuação, “O Retorno de Misery”, ressuscitando sua personagem favorita. Paul inicialmente reluta, mas logo percebe que a oportunidade de ressuscitar Annie pode ajudá-lo a manter-se vivo e quem sabe, talvez conseguir escapar das garras de sua fã psicopata.

“Louca Obsessão” é um dos poucos romances, na minha opinião, cujo subtítulo em português fez tanto sentido quanto o título em Inglês (que na nova versão do romance também foi mantido). Não há palavra melhor para definir as 326 páginas de tortura física e psicológica sofridas por Paul Sheldon nas mãos de sua “fã número 1” e psicótica Anne Wilkes, que, apesar de motivava pelo estopim inicial, que fora a morte de sua personagem preferida nos romances de Paul, já possuía uma tendência psicopata extremamente elevada. Não entrarei em detalhes para evitar spoilers, mas posso garantir que Annie Wilkes entrou para a seleta galeria de piores (ou seriam “melhores?”) vilões já criados pelo Tio King.

Apesar de não ser um livro relativamente curto e de possuir uma trama focada em dois únicos personagens (os coadjuvantes, como os policiais que investigam a casa de Annie após o desaparecimento de Paul e até mesmo a porca que Annie apelidara de “Misery”, estão lá, mas aparecem muito pouco na história) a leitura flui de maneira considerável, sem muitos atropelos ou embromações que estamos acostumados a ler em alguns romances de Stephen King. O fato de reduzir a história aos dois, Annie e Paul, deu a King a oportunidade de se aprofundar mais ainda na psique neurótica de Annie e em suas motivações, a primeira vista triviais, mas que com o passar do tempo e com a descoberta de detalhes sobre o seu passado como enfermeira, tornaram-se perfeitamente plausíveis.

Na nova versão do livro a tradução ficou a cargo de Elton Mesquita e a capa adotada é a mesma da versão em paperback britânica (na minha humilde opinião, um dos maiores acertos da Suma com relação aos relançamentos dos livros do King no Brasil). Outro detalhe que achei bastante interessante foi a diagramação. Em um determinado trecho do livro, quando Paul é forçado a escrever um novo romance, dando outro final para a personagem Misery, a máquina que ele utiliza tem a letra “n” danificada e ele é obrigado a preencher os espaços vazios a mão. A tipologia utilizada pela editora emulou isso:

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Na introdução de “Os Livros de Bachman”, King relata que “Misery” deveria ter sido originalmente um romance publicado pelo seu pseudônimo. Entretanto, reza a lenda que devido ao final do livro, pouco compatível com o “Estilo Bachman”, King optou por publicá-lo com seu nome mesmo. King ainda teria afirmado que a dependência de Paul ao remédio fictício “Novril” seria uma metáfora a sua própria dependência das drogas e ao modo como, na época, a sua família o teria ajudado a resolver o problema.

Curiosidades

  • Foi o livro mais rápido escrito por King. Ele escreveu o romance em um mês.
  • Annie Wilkes nasceu no dia 1º de Abril (dia da mentira) de 1943.
  • Lord of the Rings (“O Senhor dos Anéis” de J.R.R. Tolkien) e “Lord of the Flies” (“O Senhor das Moscas” de William Golding), dois escritores que inspiraram King, são citados no romance.
  • No romance há uma referência a outro livro bastante conhecido de Stephen King, “O Iluminado”, quando Annie diz: “…Era um hotel famoso chamado ‘Overlook’, que foi totalmente destruído num incêndio há dez anos atrás. Foi o vigia quem tocou fogo no hotel. Todo mundo na cidade diz que ele era maluco.”
  • Em um trecho do livro Paul descobre um recorte de jornal com a data da separação de Annie rabiscada nele: 43 de Agosto de 1880. Aparentemente trata-se de um erro da própria Annie, que nervosa acabou se esquecendo que nem mesmo em 1880 os meses tinham mais de 31 dias.
  • A maquina Royal, usada por Paul Sheldon para escrever “O Retorno de Misery” é a mesma utilizada por Stephen King quando ele era criança.
  • Stephen King exigiu que o diretor da adaptação de “Misery” fosse Rob Reiner, por ter gostado bastante do trabalho que ele havia feito em “Stand By Me” (Conta Comigo), adaptação do seu conto “O Corpo” do livro “As Quatro Estações”

O 19 é um número particularmente importante nas obras de King e há diversas referências a esse número em “Misery”:

  • 19/07/1957 foi quando os jornais noticiaram a morte de Carl Wilkes (pai de Annie).
  • 19/03/1969: morre Hester “Queenie” Beaulifant, uma das primeiras vítimas de Annie.
  • 19/03/1970: anunciado o novo corpo de funcionários do hospital de Harrisburg, Pensilvânia, entre eles está a enfermeira Annie Wilkes.
  • 19/03/1981: Annie volta a trabalhar no Hospital Bolder.
  • 19/07/1982: Annie é presa.
  • 19/11/1984: morre Andrew Pomeray, uma das últimas vítimas de Annie.
  • No conto “O Policial da Biblioteca”, publicado na coletânea “Depois da Meia Noite”, um personagem aluga romances de Paul Sheldon na biblioteca local.
  • “Misery” foi um dos livros mais adaptados de King, rendendo várias versões para teatro norte americano, mexicano (confira aqui) e até para um teatro brasileiro (mais detalhes aqui), além da adaptação mais conhecida, a versão cinematográfica que rendeu o oscar (além de um Golden Globe) de melhor atriz para Kathy Bates no longa “Misery” (“Louca Obsessão”, no Brasil).
  • Concorreu ao prêmio World Fantasy de melhor novela, de 1988.
  • No vídeo-clipe da música “Please Don’t Leave Me” da cantora Pink há diversas referências a obras de Stephen King, inclusive “Misery”.

Capas Internacionais

 

Edilton Nunes

Edilton Nunes

Graduado em Letras pela UEG (Universidade Estadual de Goiás), viciado em literatura de terror/suspense, amante incondicional de séries e Hq´s e fã de carteirinha do mestre Steve há pelo menos 20 anos.

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5 Responses to “Livro da Semana: Misery: Louca Obsessão”

  1. Talison disse:

    Realmente o clipe da Pink é Muito Stephen King. Não conhecia. 😉

  2. Wanderson disse:

    Esse sim é um dos que deveria sair de novo por aqui.

  3. Diogo Hilário disse:

    Uma curiosidade também é uma referência a senhora Kaspbrak, na parte 34( página 102, ed. Francisco Alves), que deve ter algum parentesco com Eddie Kaspbrak, um dos integrantes do clube dos perdedores(Livro “A coisa”).

  4. Edilton Nunes Edilton disse:

    Verdade Diogo. Não tinha atentado pra esse detalhe.

  5. Suelyn disse:

    Um dos meus livros favoritos. Nunca tinha reparado nas referências no clipe da Pink.

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